Juan Guaidó aparece em carta de Flávio Bolsonaro sobre liderança
O senador citou o opositor venezuelano ao listar líderes políticos; uma versão da carta o chamava de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
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Flávio Bolsonaro citou Juan Guaidó em uma carta ao mencionar lideranças associadas a tentativas de mudança política. O venezuelano se declarou presidente encarregado em 2019, após a oposição contestar a reeleição de Nicolás Maduro. Apesar do reconhecimento de cerca de 60 países, Guaidó não conseguiu tirar Maduro do poder, e a estrutura do governo interino foi encerrada em 2023.
Juan Guaidó, político venezuelano que se declarou presidente interino em 2019, foi citado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma carta divulgada nesta terça-feira. O parlamentar mencionou o opositor ao listar lideranças que, na avaliação dele, conduziram tentativas de mudança política; em uma versão do texto, Flávio se chamou de “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e depois substituiu a expressão por “líder do Brasil”.
Guaidó presidia a Assembleia Nacional da Venezuela quando assumiu o título de presidente encarregado, em janeiro de 2019. A oposição considerava ilegítima a reeleição de Nicolás Maduro no ano anterior e se apoiava em artigos da Constituição venezuelana para contestar a continuidade do governo.
Em 23 de janeiro daquele ano, durante uma manifestação em Caracas, Guaidó jurou assumir as atribuições do Poder Executivo. “Hoje, 23 de janeiro de 2019, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional, invocando os artigos da Constituição [...], juro assumir formalmente as competências do Poder Executivo Nacional como presidente encarregado da Venezuela”, declarou.
A iniciativa teve reconhecimento de cerca de 60 países, entre eles Estados Unidos e Brasil. O governo americano de Donald Trump e a gestão de Jair Bolsonaro estiveram entre os que reconheceram Guaidó como presidente. Maduro, por sua vez, acusou os Estados Unidos de liderarem uma tentativa de golpe e anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Washington, dando 72 horas para a saída dos diplomatas americanos.
Apesar do apoio externo, Guaidó não tomou o Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, nem conseguiu retirar Maduro do poder. Também não obteve o apoio das Forças Armadas, considerado essencial para uma mudança de governo, ou unificar a população contra o regime.
Guaidó foi a principal figura da oposição venezuelana entre 2019 e 2022. Com o desgaste político e divergências entre partidos opositores, a Assembleia Nacional decidiu encerrar a estrutura do chamado governo interino. A decisão passou a valer em janeiro de 2023.
A carta de Flávio aproxima os dois casos pelo uso de uma declaração de liderança política, mas os contextos são distintos: Guaidó fundamentou sua reivindicação na contestação à reeleição de Maduro e na presidência da Assembleia Nacional. A carta do senador, segundo as versões divulgadas, também teve alteração na forma como ele se descreveu.