Lula critica viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos
O presidente comparou a saída do senador à própria prisão na Lava Jato; não havia confirmação de que Flávio já tivesse chegado aos Estados Unidos.
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Lula chamou de “vergonhosa” a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial e comparou o caso à própria prisão na Lava Jato. O senador viajou no mesmo dia em que foi intimado a entregar os passaportes e a não deixar o país. Sua chegada aos EUA não estava confirmada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (27) a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, com destino aos Estados Unidos, após a derrota dele na eleição presidencial. Em declaração diante do Palácio da Alvorada, Lula chamou a viagem de “vergonhosa” e comparou o caso à própria prisão no âmbito da Operação Lava Jato.
“Quando fui acusado, tive muito convite para sair do Brasil e ir para embaixada. Resolvi ficar no Brasil e me entreguei à PF porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência. E estou aqui pro quarto mandato. Quem não deve não teme”, disse o presidente. Lula afirmou que Flávio não deveria dizer no exterior que o Brasil não tem democracia.
O presidente também voltou a cobrar que o senador abrisse mão dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, tema que, segundo ele, foi levantado durante um debate eleitoral. “Eu tentei que ele provasse que era honesto entregando papéis e ele não entregou”, declarou. Lula disse ainda que a família Bolsonaro considera os Estados Unidos sua “primeira pátria”.
A viagem ocorreu no mesmo dia em que Flávio foi intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a entregar os passaportes até as 11h e a não deixar o país. A Polícia Federal cancelou os documentos brasileiros após o senador não cumprir a determinação. Flávio tem cidadania italiana e passaporte desse país; o governo de Donald Trump confirmou que concederá vistos a ele e a familiares. Não havia confirmação de que o senador já tivesse chegado aos Estados Unidos.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, disse ter ficado surpreso com a saída e afirmou não saber onde ele ou a família estavam. Marinho relatou que recebeu uma mensagem de Flávio pela manhã, dizendo que iria “dar um tempo” e que conversaria com os aliados depois. O senador do PL também classificou como perseguição política as medidas judiciais contra o correligionário.
Flávio é investigado em dois inquéritos no STF. Um apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, em um caso que envolveria o senador e o advogado Willer Tomaz. O outro investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As investigações tratam de suspeitas, não de condenações.
A comparação de Lula remete à prisão dele na Lava Jato, operação que investigou corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras e em contratos públicos. O petista foi preso em 2018 e condenado em processos relacionados à operação; em 2021, o STF anulou as condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgá-lo. A decisão não analisou o mérito das acusações.