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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Meteorito Teghaza 001 revela sinais de água antiga em Marte

Com idade estimada em 4,1 bilhões de anos, o fragmento foi achado no Mali e pode ter vindo das antigas terras altas do hemisfério sul marciano.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fragmento escuro de meteorito sobre a areia do deserto do Saara. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fragmento escuro de meteorito sobre a areia do deserto do Saara.
Resumo em 30 segundos

Encontrado no Saara, no Mali, em 2022, o meteorito Teghaza 001 tem cerca de 4,1 bilhões de anos. A análise identificou sinais de que a água alterou rochas da crosta de Marte no passado. A comparação com dados de uma sonda apontou possíveis regiões de origem no hemisfério sul do planeta.

Um meteorito encontrado em 2022 no Deserto do Saara, no Mali, tem cerca de 4,1 bilhões de anos e contém sinais de que a água alterou a crosta de Marte no passado. Batizado de Teghaza 001, o material foi estudado por pesquisadores com financiamento da Nasa; os resultados foram publicados na revista científica Science na quinta-feira (29).

A idade do meteorito o coloca entre os fragmentos marcianos mais antigos já encontrados na Terra. A análise também indica que ele se formou em uma etapa antiga da história de Marte, quando a água já modificava rochas da crosta. Atualmente, a superfície do planeta é fria e seca.

O Teghaza 001 é formado por oito pedras, com massa total de 798,5 gramas. A maior pesa 442 gramas. Para confirmar a origem marciana, os pesquisadores mediram isótopos de oxigênio, variações de um mesmo elemento químico que podem ajudar a identificar a procedência de uma rocha.

A equipe examinou a textura, os minerais, a composição e a idade do material. Os dados apontam para um resfriamento lento do magma no local em que o meteorito se formou. Segundo Yang Liu, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, as texturas e os minerais do Teghaza 001 diferem dos encontrados em outros meteoritos marcianos estudados anteriormente.

Para estabelecer a idade, os cientistas usaram a datação por rubídio-estrôncio (Rb-Sr), técnica que mede a transformação de elementos radioativos em uma rocha. O método permitiu examinar grãos minerais individuais com um fragmento menor que uma unha, sem destruir uma parte significativa do meteorito.

A comparação dos resultados com dados da sonda Mars Reconnaissance Orbiter apontou como possível região de origem as antigas terras altas do hemisfério sul de Marte. Os pesquisadores identificaram 13 áreas com características semelhantes às do meteorito.

A hipótese é que um grande impacto tenha arrancado o fragmento da crosta marciana e o lançado ao espaço, antes de ele cair no Saara. Os pesquisadores ainda não determinaram quanto tempo durou a viagem até a Terra. O estudo oferece pistas sobre a composição e a história geológica de uma parte antiga de Marte, mas não identifica a duração desse percurso.

Fontes: O Globo

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