Nasa seleciona estudo para investigar tubos de lava na Lua
A missão GIMLI vai combinar radar, análise sísmica e gravimetria para verificar se o Poço das Colinas Marius dá acesso a uma cavidade subterrânea.
Resumo em 30 segundos
A Nasa selecionou a investigação GIMLI para estudar o Poço das Colinas Marius e verificar se ele se conecta a um tubo de lava subterrâneo. A missão pretende combinar radar, análise sísmica e medições de gravidade. Ainda não há data divulgada para a missão, que integra o programa PRISM e será realizada pelo CLPS.
A Nasa selecionou uma investigação para verificar se o Poço das Colinas Marius, na face visível da Lua, dá acesso a um tubo de lava subterrâneo. O estudo, chamado GIMLI, pretende analisar o subsolo e avaliar se uma cavidade poderia servir de abrigo a astronautas em futuras missões; a agência ainda não divulgou uma data para a missão.
O poço tem cerca de 65 metros de diâmetro e fica em uma região vulcânica. Observações feitas com dados de gravidade e radar já levantaram a possibilidade de haver grandes espaços subterrâneos nas Colinas Marius, mas medições à distância não permitem determinar com segurança o tamanho e a configuração dessas estruturas.
A GIMLI vai combinar diferentes técnicas para investigar o local. O radar poderá detectar mudanças no material abaixo da superfície e buscar sinais de uma cavidade; a análise sísmica observará como as ondas atravessam as camadas subterrâneas; e um gravímetro medirá pequenas variações na gravidade ligadas à distribuição de massa no subsolo.
A combinação dos métodos pode ajudar a reduzir dúvidas de interpretação: se técnicas distintas apontarem para a mesma estrutura, haverá evidências mais consistentes de um espaço subterrâneo conectado ao poço. A investigação integra o programa PRISM, que seleciona experimentos científicos para a superfície lunar, e será realizada pela iniciativa CLPS, que usa empresas privadas para levar equipamentos à Lua.
Tubos de lava são estruturas que podem se formar quando a parte externa de um fluxo de lava esfria e endurece, enquanto a rocha derretida continua a correr pelo interior. Quando o fluxo termina e a lava escorre, pode restar um túnel. Na Lua, essas cavidades poderiam ser muito maiores que as encontradas na Terra, embora a existência e as dimensões de uma estrutura específica precisem ser confirmadas por observações.
O interesse em cavernas lunares está ligado aos riscos de uma permanência prolongada na superfície. Como a Lua não tem uma atmosfera significativa nem um campo magnético global como o terrestre, astronautas e equipamentos ficam expostos à radiação, a micrometeoritos e a variações extremas de temperatura. Uma camada de rocha poderia oferecer proteção natural contra parte desses perigos e ajudar a manter temperaturas mais estáveis do que as da superfície.
Construir abrigos com proteção semelhante exigiria transportar ou movimentar grandes quantidades de material. Por isso, uma cavidade natural poderia ser útil no planejamento de uma futura base, caso as condições do local e a estrutura sejam adequadas.
Na mesma rodada de seleção, a Nasa escolheu outras duas investigações. A LEMS-SP instalará uma estação autônoma, especialmente na região do polo sul, para monitorar micrometeoritos, substâncias voláteis na tênue camada gasosa ao redor da Lua e atividade sísmica, incluindo tremores lunares.
A outra iniciativa, DISCO, estudará gelo em microarmadilhas frias, áreas que recebem pouca ou nenhuma luz solar direta. A água congelada poderia, dependendo da quantidade, da concentração e da viabilidade de extração, servir para consumo e ser processada para produzir oxigênio e hidrogênio, reduzindo a necessidade de levar esses recursos da Terra.