IA da Microsoft supera médicos generalistas em testes diagnósticos
No estudo publicado na Science, a ferramenta acertou mais em casos complexos e registros de pronto-socorro, mas não foi testada em atendimentos reais.
Resumo em 30 segundos
A ferramenta DxO, desenvolvida pela Microsoft, acertou 83,2% dos diagnósticos em casos publicados e 80,3% em registros de pronto-socorro. Médicos generalistas tiveram 36,1% e 46,8% de acerto, respectivamente. Os pesquisadores ressaltam que os testes ocorreram em condições controladas e não comprovam superioridade da IA na prática clínica.
Uma ferramenta de inteligência artificial (IA) da Microsoft, chamada DxO, teve maior precisão que médicos generalistas em testes de diagnóstico de casos complexos. O sistema acertou 83,2% dos diagnósticos em casos publicados e 80,3% em registros de pronto-socorro, segundo estudo divulgado na revista científica Science. Os médicos avaliados tiveram, respectivamente, 36,1% e 46,8% de acerto.
DxO é a sigla em inglês para Orquestrador de Diagnóstico. A ferramenta simula uma equipe de especialistas e reúne informações dos casos conforme faz perguntas ou solicita exames, em vez de receber todo o prontuário de uma vez. A abordagem busca reproduzir etapas do raciocínio clínico, mas os resultados não demonstram que a IA seja superior a médicos no atendimento real.
Para comparar o desempenho, os pesquisadores criaram o SDBench, uma série de testes interativos. Foram usados 304 casos de diagnóstico publicados no New England Journal of Medicine e 325 registros de pacientes admitidos em departamentos de emergência. Cada caso foi apresentado gradualmente, começando por uma vinheta clínica — um resumo com dados como idade, sexo e sintomas principais.
Durante os testes, médicos e DxO podiam solicitar informações adicionais do prontuário e exames. Quando consideravam ter dados suficientes, apresentavam um diagnóstico final, que era comparado com o registrado no caso original. Esse formato permitiu avaliar não apenas a resposta, mas também como cada participante buscava informações.
A ferramenta perguntou mais sobre o histórico dos pacientes antes de pedir exames. Segundo os pesquisadores, esse comportamento pode ajudar a reduzir custos com testes, embora o estudo não tenha medido economia em serviços de saúde.
Os autores ressaltam que a comparação não comprova vantagem sobre especialistas, equipes multidisciplinares ou a prática clínica cotidiana. Os testes não foram realizados em ambientes reais de atendimento; por isso, o SDBench mede o raciocínio diagnóstico sob condições de informação controladas, e não o desempenho junto ao paciente nem os resultados clínicos.
O estudo trata de uma ferramenta para apoiar o raciocínio diagnóstico, não de um serviço de diagnóstico médico online ou gratuito para o público. A pesquisa também não avaliou o uso da IA para substituir consultas ou decisões de profissionais de saúde. Os autores apontam que estudos futuros devem examinar como médicos e sistemas de IA podem trabalhar em conjunto e sugerem possíveis aplicações em educação e treinamento médico.