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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Perseverance supera Opportunity e bate recorde de distância em Marte

O rover da Nasa já percorreu mais de 45 quilômetros desde que chegou ao planeta, em 2021, e continua explorando rochas antigas na região de Lac de Charmes.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Rover Perseverance atravessa terreno rochoso e observa formações claras em Marte. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rover Perseverance atravessa terreno rochoso e observa formações claras em Marte.
Resumo em 30 segundos

O Perseverance percorreu mais de 45 quilômetros em Marte e superou a marca do Opportunity, que operou no planeta entre 2004 e 2018. O novo recorde foi confirmado após o rover desviar sua rota para analisar rochas claras em Lac de Charmes. A Nasa ainda não definiu o destino futuro do veículo nem o plano para trazer suas amostras à Terra.

O rover Perseverance, da Nasa, percorreu mais de 45 quilômetros em Marte e superou a distância registrada pelo Opportunity, que operou no planeta de 2004 a 2018. O recorde foi atingido no domingo, 11, na cratera Jezero e em áreas próximas; o Laboratório de Propulsão a Jato da agência confirmou a marca na segunda-feira, 12.

O Perseverance chegou a Marte em fevereiro de 2021 e continua em atividade. O odômetro soma os trajetos feitos desde o pouso, incluindo deslocamentos dentro e nos arredores de Jezero. A Nasa havia certificado o veículo para percorrer 20 quilômetros antes do lançamento e agora trabalha para ampliar essa certificação a 100 quilômetros.

A marca foi alcançada mais tarde do que a equipe esperava. O rover deveria chegar a 45 quilômetros ainda em agosto, mas desviou sua rota para estudar rochas claras em Lac de Charmes, região que explora depois de deixar a cratera. A investigação levou cerca de dois meses e, segundo os cientistas da missão, as formações podem estar entre as mais antigas já analisadas em Marte.

“A ciência é a razão pela qual esse veículo está na superfície de Marte”, afirmou Katie Stack Morgan, cientista do projeto, em entrevista no início de outubro. Ela disse que a equipe aguardava o recorde, mas que as rochas é que orientam as decisões sobre o percurso.

A maior parte da crosta marciana é formada por basalto, uma rocha vulcânica de granulação fina e tonalidade escura. As formações claras encontradas pelo rover são gabros: rochas de composição semelhante, mas com cristais maiores, que se formam quando o magma esfria mais lentamente em profundidade. Os cientistas identificaram nelas sinais de derretimento e choque intensos.

Uma hipótese da equipe é que as rochas tenham passado por três impactos de meteoritos. Um deles teria derretido a crosta e formado o gabro; outro teria provocado marcas de choque e novo derretimento; e um terceiro teria lançado os blocos até a posição atual, perto de Jezero. O rover tentou perfurar uma das pedras para coletar uma amostra, mas não conseguiu porque ela era dura demais.

Jezero foi escolhida como destino porque, no passado remoto, a cratera de 48 quilômetros de largura abrigou um lago, quando Marte era mais quente e úmido. Um delta formado por um antigo rio, alcançado pelo Perseverance em abril de 2022, também é considerado um local favorável à busca por possíveis vestígios orgânicos. A existência de vida no planeta não foi estabelecida; a missão procura sinais que possam ajudar a investigar essa possibilidade.

Depois de explorar o fundo da cratera e o delta, o rover subiu e saiu de Jezero. Agora, analisa rochas de cerca de 4 bilhões de anos em Lac de Charmes. Por sua idade, elas podem oferecer pistas sobre os primeiros períodos da história do Sistema Solar, antes da formação da própria cratera.

“O que o Perseverance está nos proporcionando é, de fato, um vislumbre dessa fase muito inicial da história do Sistema Solar, algo como seus primeiros 500 milhões de anos”, afirmou Vivian Sun, vice-cientista interina do projeto. Segundo ela, essas rochas podem ampliar o conhecimento sobre esse período.

O veículo, do tamanho de um carro pequeno, também usa navegação autônoma para planejar deslocamentos sem depender de instruções da Terra para cada mudança de direção. Essa capacidade permite cobrir distâncias maiores do que as de robôs anteriores, como o Sojourner, que percorreu 103 metros em 12 semanas, em 1997, e precisava executar os comandos recebidos.

A jornada do Perseverance incluiu ainda o trabalho com o Ingenuity, pequeno helicóptero transportado sob o rover. O aparelho realizou os primeiros voos motorizados e controlados em outro planeta e, após quatro testes bem-sucedidos, passou a acompanhar a exploração. Fez 72 voos até janeiro de 2024, quando uma pá do rotor se quebrou.

O recorde de distância em Marte pertencia ao Opportunity, outro rover da Nasa, que deixou de enviar sinais em 2018. O Perseverance pode continuar percorrendo o planeta nos próximos anos, mas a agência ainda não definiu seu destino depois da exploração da área atual. Também terá de decidir o que fazer com as amostras que o veículo carrega: o plano Mars Sample Return, desenvolvido com a Agência Espacial Europeia para trazê-las à Terra, foi cancelado por causa do custo, e a Nasa ainda não anunciou se retomará a iniciativa com uma missão comercial.

Para entender

Rover
Veículo robótico projetado para se deslocar pela superfície de outro corpo celeste. Em Marte, rovers podem estudar o terreno, registrar imagens e analisar rochas, enviando dados à Terra para ajudar cientistas a investigar a história e as condições do planeta.
Gabro
Rocha ígnea de granulação grossa, formada quando o magma esfria lentamente em profundidade e seus cristais têm mais tempo para crescer. Tem composição semelhante à do basalto, mas costuma apresentar cristais maiores.

Fontes: Folha de S.Paulo

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