Meta restringe vídeos de Joel Pinheiro e Caio Coppolla no Instagram
A Meta restringiu no Instagram, nesta quinta-feira, vídeos de Joel Pinheiro da Fonseca e Caio Coppolla no Brasil por regras eleitorais ligadas à IA.
Resumo em 30 segundos
A Meta restringiu no Instagram, no Brasil, vídeos de Joel Pinheiro da Fonseca e Caio Coppolla por questões eleitorais relacionadas ao uso de inteligência artificial. A publicação de Joel foi restaurada e removida novamente; a de Coppolla continuava indisponível. Os vídeos comentavam, respectivamente, medidas sobre postagens religiosas e declarações sobre a rejeição ao governo Lula.
A Meta restringiu no Instagram, nesta quinta-feira (1º), vídeos publicados pelos comentaristas políticos Joel Pinheiro da Fonseca e Caio Coppolla. As postagens foram bloqueadas no Brasil por possível violação de regras eleitorais relacionadas ao uso de inteligência artificial (IA), segundo justificativas atribuídas à empresa pelos autores dos vídeos; os perfis continuam ativos.
As publicações seguiram disponíveis fora do país. O vídeo de Coppolla permanecia fora do ar, enquanto o de Joel foi restaurado à tarde e voltou a ser retirado à noite. A Meta não respondeu, até a publicação da matéria de origem, a um novo pedido de esclarecimento sobre essa segunda remoção.
A empresa afirmou que busca cumprir o período de silêncio determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para conteúdos que utilizam IA. Sobre o vídeo de Joel, declarou que a publicação foi bloqueada temporariamente no Brasil após sistemas identificarem indícios de uso da tecnologia e que, depois de uma revisão, concluiu que não havia infração às regras eleitorais.
No caso de Coppolla, a Meta disse que o bloqueio no Brasil foi feito com base na resolução eleitoral sobre o período de silêncio para conteúdos com IA, incluindo imagem e voz de candidato. O TSE não havia respondido aos pedidos de manifestação feitos até a publicação da matéria de origem.
O vídeo de Joel tratava de medidas recentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino relacionadas a publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. No domingo (27), Dino suspendeu a retirada de postagens que acusavam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de querer retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
Na gravação, Joel comentou a atuação da Justiça Eleitoral sobre acusações contra candidatos durante o período eleitoral. Ele afirmou que a jurisprudência do TSE tende a permitir a retirada de conteúdos com alegações falsas sobre candidaturas. Também criticou a abertura de uma investigação nacional sobre ataques a imagens religiosas e questionou o papel do Supremo no caso.
Na quarta-feira (30), Dino determinou que a Polícia Federal (PF) abrisse inquérito para investigar o que chamou de “onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas”. A PF iniciou a investigação poucas horas depois. No mesmo dia, o TSE manteve a remoção das postagens em julgamento; o ministro André Mendonça reiterou voto favorável à retirada e criticou as alegações de que a medida restringiria a liberdade religiosa.
O vídeo de Coppolla, com oito minutos, contestava uma declaração da jornalista Vera Magalhães no podcast “Fora da Bolha”, publicado no domingo (20). Ela relacionou parte da rejeição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva a um “ódio de classe muito arraigado”, e afirmou que debates sobre gestão fiscal e acusações de corrupção serviriam como “munição ou pretexto”.
Coppolla questionou essa interpretação e argumentou que a rejeição ao presidente teria outras explicações. O vídeo incluía trechos da entrevista de Magalhães e falas de Lula, além de referências a episódios políticos e econômicos que, na avaliação do comentarista, alimentaram o antipetismo.
A retirada ocorre após a Meta ter derrubado, na semana passada, a conta do perfil Revelando no Instagram. O perfil publicou reportagens sobre relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e figuras políticas, com destaque para Flávio Bolsonaro. Depois de uma revisão interna, a empresa restaurou a conta e pediu desculpas pela inconveniência.
Quem é quem
- Meta
- Empresa de tecnologia que controla redes sociais e serviços digitais, incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp. Neste caso, a empresa aplicou restrições territoriais a vídeos publicados no Instagram e atribuiu as medidas a regras eleitorais brasileiras sobre conteúdo com uso de inteligência artificial.
- Tribunal Superior Eleitoral
- Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar eleições e julgar questões relacionadas ao processo eleitoral, incluindo a aplicação de normas sobre propaganda e conteúdo divulgado durante campanhas.
- Supremo Tribunal Federal
- Corte de cúpula do Poder Judiciário brasileiro, responsável por interpretar a Constituição e julgar matérias constitucionais. Flávio Dino, ministro do tribunal, determinou a abertura de investigação sobre ataques a imagens religiosas mencionados na notícia.