Meta aperfeiçoa filtros de IA após queixas sobre imagens eleitorais
A empresa disse ao presidente do TSE que as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro foram afetadas por conteúdos considerados inadequados; a reunião também tratou de WhatsApp e propaganda paga.
Resumo em 30 segundos
Representantes da Meta informaram ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que trabalham para aperfeiçoar os filtros de inteligência artificial após reclamações sobre imagens eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro. A reunião também abordou canais de WhatsApp ligados às campanhas e o impulsionamento pago de propaganda por pessoas físicas e com moeda estrangeira.
Representantes da Meta disseram ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, nesta quinta-feira (15), que a empresa trabalha para aperfeiçoar os filtros de inteligência artificial (IA) usados em seus aplicativos, após reclamações sobre a criação de imagens eleitorais para Flávio Bolsonaro (PL) e a recusa em produzir conteúdo semelhante para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A conversa ocorreu na sede do tribunal e também tratou de canais de WhatsApp e de propaganda eleitoral paga.
Relatos de usuários publicados na quarta-feira mostraram que a Meta AI, ferramenta de IA da empresa, gerava imagens com referências a Flávio, mas rejeitava pedidos semelhantes com o nome de Lula. A campanha petista acusou a plataforma de barrar a criação de imagens do presidente, enquanto o mesmo bloqueio não ocorreria para o candidato do PL. A Meta afirmou que as duas campanhas foram afetadas pela geração de conteúdos de IA considerados inadequados.
Os critérios para o uso de inteligência artificial nas eleições estão previstos em resoluções do TSE. A Meta apresentou ao tribunal um plano de conformidade que detalha como aplica essas regras. A empresa informou que começou a trabalhar nos filtros na noite de terça-feira.
A reunião também abordou o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Nunes Marques pediu que a Meta preserve conteúdos publicados em canais do WhatsApp que sejam alvo de processos na Justiça Eleitoral. O funcionamento do canal de apoio a Lula foi objeto de decisões divergentes: o ministro suspendeu a lista de transmissão em duas ocasiões, depois liberou sua operação com restrição de 48 horas e, na quarta-feira (14), retirou essa exigência.
A regra das 48 horas se referia ao prazo para que novos endereços eletrônicos registrados por campanhas no TSE pudessem ser usados. A campanha de Lula havia questionado a suspensão, enquanto a lista “Tropa do Flávio”, registrada na terça-feira, continuava ativa.
Outro assunto foi o impulsionamento pago de propaganda eleitoral por pessoas físicas e com moeda estrangeira. As campanhas de Lula e Flávio haviam levado reclamações sobre essas práticas a Nunes Marques na quarta-feira. A legislação eleitoral proíbe que pessoas físicas paguem para impulsionar propaganda de candidatos.
Na véspera, o ministro recebeu os advogados Angelo Ferraro, representante da campanha de Lula, e Maria Claudia Bucchianeri, que atua para Flávio. Eles apresentaram queixas sobre a atuação da Meta, e foram informados de que os pontos seriam discutidos com a empresa. Os representantes das campanhas não participaram da reunião desta quinta-feira.
Para entender
- Meta AI
- Ferramenta de inteligência artificial da Meta, integrada aos aplicativos da empresa, que responde a comandos dos usuários e pode gerar imagens e outros conteúdos.
- Impulsionamento eleitoral
- Pagamento para ampliar a distribuição de conteúdo político em plataformas digitais. As regras eleitorais brasileiras restringem quem pode pagar por esse tipo de divulgação.