Coligação de Lula acusa Meta AI de favorecer Flávio no WhatsApp
Petição ao TSE cita testes em que a ferramenta recusou cartaz com “Lula 13” e criou imagem com “Flávio 22”; a empresa diz que filtros podem variar.
Resumo em 30 segundos
A coligação de Lula apresentou nova petição ao TSE, alegando que a Meta AI, no WhatsApp, recusou imagens eleitorais favoráveis ao presidente e aceitou pedidos semelhantes sobre Flávio Bolsonaro. A Meta afirma que suspendeu temporariamente a geração de imagens de candidatos. O tribunal ainda analisa as acusações, que não comprovam favorecimento deliberado.
A coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), apresentou nesta quarta-feira (14) uma nova petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta. A campanha afirma que a inteligência artificial Meta AI, disponível no WhatsApp, bloqueia pedidos de imagens eleitorais favoráveis a Lula, mas atende a solicitações semelhantes relacionadas ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A manifestação acrescenta a alegação sobre a geração de imagens a uma ação apresentada na semana passada. Na ocasião, a coligação acusou a empresa de restringir a distribuição de publicações favoráveis a Lula e a seus apoiadores e de beneficiar conteúdos ligados a Flávio. A campanha apontou que o perfil do senador tinha engajamento médio 2,96 vezes maior que o de Lula, embora contasse com 17,2% menos seguidores.
O ministro Marco Aurélio Bellizze, relator do caso no TSE, deu à Meta 48 horas para explicar como distribui publicações, opera sistemas de recomendação e modera conteúdos. Também determinou a preservação de registros e informações sobre contas que a campanha considera automatizadas e sobre problemas no impulsionamento de anúncios. Na segunda-feira (12), a empresa pediu mais 48 horas para responder.
Na nova petição, a coligação afirma que testes com a Meta AI mostraram respostas diferentes a comandos parecidos. A ferramenta teria recusado, por exemplo, a criação de um cartaz com “Lula 13”, mas gerado uma imagem com “Flávio 22”, acompanhada de palavras como “trabalho”, “honestidade” e “progresso”. Em outras tentativas, pedidos com referências diretas a Lula e Flávio foram barrados, enquanto alguns comandos com o primeiro nome de Flávio foram atendidos.
Os testes não demonstram, por si só, que a Meta tenha orientado deliberadamente a ferramenta a favorecer um candidato. A própria Meta AI explicou que os filtros automáticos para conteúdo político e figuras públicas podem bloquear um pedido e liberar outro semelhante. A empresa disse que não controla diretamente as regras aplicadas pelo gerador.
Em nota, a Meta afirmou que suspendeu temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles para cumprir as regras eleitorais brasileiras. A empresa acrescentou que adotou medidas para impedir também comandos que usem apenas o primeiro nome dos candidatos e o número associado a eles na urna.
A coligação pede que a Meta interrompa a suposta restrição à distribuição de publicações de Lula e apoiadores e recomponha o alcance que, segundo a campanha, foi perdido. Também solicita multa diária de R$ 500 mil, limitada a R$ 5 milhões, se a empresa não cumprir as medidas. Outro pedido é a suspensão de mais de 40 contas que a campanha afirma estarem ligadas à produção automatizada de conteúdo para Flávio.
A disputa envolve tanto a geração de imagens por inteligência artificial quanto a circulação de conteúdo em redes sociais. Gerar uma imagem e recomendá-la a usuários são ações diferentes: a primeira cria um material sintético a partir de instruções; a segunda define se e para quem uma publicação será apresentada. As regras eleitorais citadas nas matérias exigem identificação explícita de conteúdos sintéticos ou manipulados por inteligência artificial. Elas também restringem a divulgação de certos conteúdos sintéticos no intervalo de 72 horas antes e 24 horas depois da votação.
A reclamação da campanha é uma acusação ainda em análise pelo TSE, não uma decisão de que houve favorecimento. A Meta contestou a alegação de seletividade algorítmica em manifestação anterior, segundo relato da campanha adversária, e disse que a integridade do processo eleitoral é prioridade. O tribunal pediu esclarecimentos sobre o funcionamento das plataformas; a empresa ainda não havia fornecido os registros efetivos de exibição mencionados na petição.