MEC autoriza curso de medicina da Rede D’Or no Rio com 100 vagas
As aulas estão previstas para começar em 25 de janeiro de 2027; a graduação terá seis anos e mensalidade estimada entre R$ 13 mil e R$ 14 mil.
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A Faculdade IDOR de Ciências Médicas abrirá no centro do Rio de Janeiro um curso de medicina com 100 vagas. A graduação terá seis anos, 8,2 mil horas e internato de três anos, com atividades práticas em hospitais da Rede D’Or e unidades do SUS. A instituição prevê bolsas socioeconômicas e seleção por prova própria ou Enem.
O Ministério da Educação (MEC) autorizou nesta sexta-feira (6) a abertura do curso de medicina do Instituto D’Or, ligado à Rede D’Or, no Rio de Janeiro. A graduação terá 100 vagas, e as aulas estão previstas para começar em 25 de janeiro de 2027, no centro da cidade.
O curso será oferecido pela Faculdade IDOR de Ciências Médicas, que já mantém graduações em psicologia e enfermagem. A mensalidade prevista é de R$ 13 mil a R$ 14 mil. O processo seletivo deverá aceitar candidatos por prova própria e pelo desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além de prever modalidades para pessoas com formação internacional.
A instituição planeja destinar 10% das vagas a bolsas socioeconômicas e oferecer também bolsas de permanência e por desempenho. A graduação terá seis anos, com 8,2 mil horas de formação — mil horas acima da carga mínima exigida, segundo o projeto. Estágios supervisionados representarão 42% da carga horária.
Um dos diferenciais anunciados é o internato de três anos, período de formação prática supervisionada em serviços de saúde. Em outros cursos, as atividades práticas desse tipo se concentram nos dois últimos anos. O currículo da Faculdade IDOR prevê ainda contato com pesquisa desde o primeiro ano e atividades práticas nos hospitais da Rede D’Or.
As aulas teóricas serão ministradas em um prédio de 11 andares no centro do Rio, tombado e anteriormente ocupado pelo Ibmec. As primeiras práticas estão previstas para ocorrer já no primeiro ano em unidades como o Hospital Quinta D’Or e a Maternidade Perinatal, na Barra. O grupo informou que outras unidades também estarão disponíveis; estudantes de outros estados poderão fazer o internato ou a residência em suas cidades de origem, onde houver hospitais da rede.
O Instituto D’Or firmou ainda acordos com a rede pública para atividades no Hospital do Andaraí e na Clínica da Família Maurício Silva. Cursos de medicina precisam incluir formação prática no Sistema Único de Saúde (SUS), a rede pública de atendimento. A faculdade afirma que oferecerá essas atividades desde o primeiro período e manterá turmas de até 50 alunos, além de avaliação contínua durante os seis anos.
A presidente do Instituto D’Or, médica e cientista Fernanda Tovar-Moll, afirmou que os estudantes terão contato recorrente com pesquisa e poderão se aproximar da carreira científica. O instituto tem 2,5 mil artigos publicados e participou de estudos sobre a vacina contra a covid-19 e a relação entre o vírus da zika e a microcefalia. Segundo Tovar-Moll, a organização mantém parcerias com 80 instituições de diferentes países.
A criação do curso integra um compromisso de investimento em pesquisa e ensino anunciado em 2021 pela família Moll e pela Rede D’Or. A família se comprometeu a aportar R$ 500 milhões, e a rede hospitalar, outro R$ 500 milhões, ao longo de dez anos. O investimento na faculdade está incluído nesse total de R$ 1 bilhão, informou o Instituto D’Or.
A entrada da Rede D’Or na formação médica acompanha a abertura recente de cursos ligados a hospitais de referência. Einstein, Sírio-Libanês e BP-Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e o Moinhos de Vento, em Porto Alegre, também investiram em graduações de medicina. A nova faculdade será a primeira ligada a um grupo hospitalar no Rio de Janeiro.
A proposta prevê integrar o ensino à atividade de pesquisa clínica do Instituto D’Or. A legislação brasileira sobre pesquisa clínica foi regulamentada em meados do ano passado, e o interesse de empresas farmacêuticas e outros participantes do setor em realizar estudos no país tem crescido. A organização sustenta que a experiência de seus hospitais e pesquisadores será incorporada à formação dos alunos.