Marine Le Pen lança campanha para eleição presidencial francesa
Em comício em Orléans, a líder do Reagrupamento Nacional defendeu regras mais rígidas para a imigração e prometeu restabelecer a ordem.
Resumo em 30 segundos
Marine Le Pen lançou sua campanha para a eleição presidencial francesa em um comício em Orléans, diante de cerca de 8.500 apoiadores. Ela prometeu endurecer as regras de imigração e criticou o governo de Emmanuel Macron. O evento ocorreu após protestos contra o custo de vida e distúrbios em várias cidades.
Marine Le Pen lançou neste domingo sua campanha para a eleição presidencial francesa com um discurso em Orléans, no centro da França, no qual prometeu restabelecer a ordem e endurecer as regras de imigração. A líder do Reagrupamento Nacional (RN) falou a cerca de 8.500 apoiadores em meio a protestos contra o custo de vida e a distúrbios registrados nos últimos dias.
Le Pen afirmou que sua proposta representa “o amanhecer de uma nova era” e defendeu a preservação da identidade cultural francesa, incluindo a língua, as tradições e o modo de vida do país. “Queremos que a França recupere sua força”, disse. Em outro momento, criticou o governo do presidente Emmanuel Macron, a quem acusou de fraqueza diante da violência e de ter perdido autoridade.
“Vamos restabelecer o Estado de Direito”, prometeu a candidata. Ela questionou a existência de um Estado de Direito diante de saques e incêndios em edifícios. O discurso ocorreu após manifestações contra o alto custo de vida que reuniram centenas de milhares de pessoas no sábado. A maioria dos atos foi pacífica, sob reforço de segurança em relação ao fim de semana anterior, quando houve violência e saques em várias cidades.
O Ministério do Interior francês informou que 1.314 pessoas foram detidas na véspera. Também registrou 53 integrantes das forças de segurança feridos e 24 estabelecimentos comerciais saqueados. As manifestações e os distúrbios deram destaque a temas que Le Pen colocou no centro da campanha, como segurança e controle da imigração.
A dirigente prometeu tornar mais rígidas as leis migratórias na França e na União Europeia. “Restabeleceremos nossas fronteiras, uma dupla fronteira: uma francesa e outra europeia”, afirmou. Também declarou que a nacionalidade francesa voltaria a ser “um privilégio que se herda ou se merece”. Entre as medidas que defende estão expulsar estrangeiros, endurecer a segurança e reformar a Constituição por meio de um referendo. Ela não descarta um confronto político com a União Europeia.
Pesquisas citadas na campanha indicam Le Pen na liderança da disputa. Ela poderia alcançar até 38% dos votos no primeiro turno e vencer no segundo contra qualquer um dos possíveis adversários, segundo esses levantamentos. O presidente Macron não pode concorrer novamente. A fragmentação do centro político e as dificuldades dos partidos tradicionais são apontadas como fatores que favorecem o RN.
O principal rival de Le Pen nas pesquisas é Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda radical França Insubmissa. Os levantamentos indicam que ele teria dificuldades para atrair votos de outros candidatos em um eventual segundo turno e perderia por ampla margem.
Antes de Le Pen, Jordan Bardella, presidente do RN e seu aliado político, discursou no comício. A fala foi interrompida brevemente por integrantes de uma organização estudantil judaica, que exibiram uma faixa sobre acusações de que Bardella teria escrito mensagens antissemitas quando era jovem. Ele nega as acusações.
No sábado, milhares de pessoas contrárias a Le Pen e ao RN protestaram em Orléans com palavras de ordem antifascistas. A campanha, portanto, começou em meio à mobilização tanto de apoiadores quanto de opositores. Para chegar à Presidência, Le Pen ainda precisa convencer eleitores que não apoiam sua candidatura, segundo a avaliação apresentada durante a campanha.