Marine Le Pen atribui violência na França ao governo Macron
Jordan Bardella promete restabelecer segurança e ordem se o Reagrupamento Nacional vencer a eleição presidencial, prevista para daqui a seis meses.
Resumo em 30 segundos
Marine Le Pen responsabilizou o governo de Emmanuel Macron pela violência registrada na França durante manifestações contra o custo de vida. Ela e Jordan Bardella defenderam segurança e ordem a seis meses da eleição presidencial. Especialistas afirmam que o episódio pode favorecer candidatos com esse discurso, mas não permite prever o resultado nas urnas.
Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) e pré-candidata à Presidência da França, atribuiu ao governo de Emmanuel Macron a responsabilidade pela violência registrada no país durante o fim de semana. Em vídeos publicados nas redes sociais no domingo (18) e na segunda-feira (19), ela e o presidente do RN, Jordan Bardella, defenderam uma resposta baseada na segurança e na ordem, a seis meses da eleição presidencial.
Os confrontos ocorreram em meio a grandes manifestações contra o aumento do custo de vida e foram descritos como um dos episódios mais graves de violência nas ruas francesas dos últimos anos. Imagens de saques, incêndios em prédios públicos e enfrentamentos com a polícia foram exibidas por canais de televisão.
Le Pen afirmou que o país atravessa uma “profunda crise de confiança, de autoridade” que ameaça a democracia. Ela também acusou o partido A França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, de querer provocar uma “guerra civil”. As declarações foram feitas em um vídeo gravado em seu escritório, diante de uma bandeira francesa.
Bardella adotou uma mensagem semelhante. Ele prometeu “restabelecer a segurança e a ordem por todos os meios legais possíveis” caso o RN chegue ao poder e declarou: “Quem encostar em um policial dorme na prisão”. O dirigente também disse que “a melhor maneira de protestar é votar”, em referência à disputa eleitoral.
O partido tenta se apresentar como alternativa de ordem diante da crise, enquanto seus integrantes criticam o governo Macron e Mélenchon. O RN nega querer obter vantagem política com os confrontos. “Não podemos ficar felizes ao ver o país nesse estado. Quando se é patriota, isso dói”, disse um dirigente da sigla.
A violência pode influenciar o debate eleitoral, mas especialistas citados no noticiário francês ressaltaram que ainda é cedo para prever seu efeito nas urnas. O cientista político Bruno Cautrès avaliou que, no curto prazo, a situação favorece candidatos que falam de lei, ordem e segurança, mas afirmou que isso não se transforma automaticamente em votos. Frédéric Dabi, diretor do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), disse que os acontecimentos poderiam fortalecer Le Pen no primeiro turno.
Uma pesquisa do instituto Elabe feita antes dos confrontos indicava Le Pen na liderança, com entre 31% e 33,5% das intenções de voto. O ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe, Mélenchon e o social-democrata Raphaël Glucksmann apareciam depois, com percentuais entre 15% e 16,5%. No cenário pesquisado, Le Pen venceria qualquer um dos três em um eventual segundo turno.
A disputa ocorre após o RN, antigo Frente Nacional, buscar afastar a imagem radical associada ao fundador da sigla, Jean-Marie Le Pen. A eleição definirá o sucessor de Macron; o resultado dos confrontos e eventuais pesquisas posteriores poderão indicar se o discurso de segurança altera o cenário eleitoral.
Para entender
- Reagrupamento Nacional
- Partido político francês de direita nacionalista, anteriormente chamado Frente Nacional. Jean-Marie Le Pen, pai de Marine Le Pen, fundou a sigla. O partido adotou o nome Reagrupamento Nacional em 2018.