Macron restringe protestos de sábado e reforça segurança na França
Após os distúrbios de 17 de outubro, o presidente quer autorizar atos convocados por sindicatos e ampliar em 20% o efetivo de segurança.
Resumo em 30 segundos
Emmanuel Macron afirmou que o governo pretende permitir no sábado apenas manifestações organizadas por sindicatos, após confrontos e depredações em atos realizados em 17 de outubro. A operação de segurança terá efetivo 20% maior que o da semana passada. Cidades como Lyon, Rouen e Toulon proibiram manifestações previstas para o fim de semana.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira, 22, que o governo pretende permitir no sábado apenas manifestações organizadas por sindicatos e acusou grupos de extrema esquerda de tentar “derrubar a República” durante os distúrbios registrados no país em 17 de outubro. Novos atos estão sendo organizados em várias cidades, em meio à mobilização reforçada das forças de segurança.
Após uma reunião com ministros e responsáveis pelos serviços de inteligência, Macron disse que os trajetos das manifestações poderão ser alterados para proteger áreas comerciais e centros urbanos. Ele também recomendou que não haja protestos nos próximos dias e afirmou que pedidos de grupos sem legitimidade para convocá-los serão rejeitados.
O presidente declarou que houve atos políticos e “sediciosos” de grupos organizados, mas também reconheceu falhas na resposta das autoridades aos episódios de sábado, segundo informações divulgadas pelo governo. As manifestações reuniram participantes pacíficos e foram acompanhadas por confrontos, saques e depredações. Pelo menos 3.000 estabelecimentos comerciais foram vandalizados, de acordo com os dados citados pelas autoridades.
O governo prepara uma operação de segurança para o próximo fim de semana. O efetivo será 20% maior que o mobilizado na semana passada, segundo o Ministério do Interior, e incluirá veículos blindados, unidades especializadas da polícia e da gendarmeria, além de militares da missão Sentinelle, que vigia locais movimentados e monumentos.
Autoridades de algumas cidades, entre elas Lyon, Rouen e Toulon, proibiram manifestações previstas para sábado. As restrições foram criticadas por opositores, que as classificaram como uma limitação de liberdades. O governo também enfrenta críticas de diferentes campos políticos: parte da oposição acusa o Executivo de repressão excessiva, enquanto setores da direita cobram medidas mais firmes.
Os protestos começaram em meio à insatisfação com o custo de vida, e novas mobilizações foram convocadas por sindicatos, estudantes e pelo movimento dos Coletes Amarelos. O grupo surgiu em 2018 como uma força de contestação ao sistema político. Os organizadores também preveem uma greve geral e manifestações em 5 de novembro.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, recebe nesta quinta-feira representantes de partidos, acompanhado pelos ministros do Interior e da Justiça e por responsáveis pela segurança e inteligência. A França vive a crise a seis meses das eleições presidenciais de abril e maio; Macron não pode disputar um novo mandato. Comerciantes temem novos danos após os saques, enquanto medidas locais de toque de recolher foram aplicadas por três noites em áreas de cidades como Paris e Lyon.
Para entender
- Coletes Amarelos
- Movimento de contestação surgido na França em 2018, associado a protestos contra o custo de vida e a políticas do governo. Reúne participantes sem uma estrutura única de liderança e voltou a convocar mobilizações no atual ciclo de manifestações.