María Corina Machado volta à Venezuela após quase um ano fora
A vencedora do Nobel da Paz de 2025 anunciou a chegada nas redes sociais; ainda não há data para eleições, e ela defende que ocorram até julho de 2027.
Resumo em 30 segundos
María Corina Machado voltou à Venezuela neste domingo, após quase um ano fora do país. A líder da oposição anunciou a chegada nas redes sociais e foi recebida por apoiadores no estado de Lara. O retorno ocorre em meio à indefinição sobre as eleições e às negociações políticas conduzidas pelo governo interino de Delcy Rodríguez.
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, voltou à Venezuela neste domingo, 25, após quase um ano fora do país. Ela anunciou a chegada nas redes sociais e escreveu: “Estou aqui. Com vocês”. O retorno ocorre enquanto o país não tem uma data definida para novas eleições e discute uma transição política sob o governo interino de Delcy Rodríguez.
Machado deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel, na Noruega, depois de passar mais de um ano escondida no país para evitar ser presa. Ela havia sido detida brevemente durante um protesto em janeiro de 2025. Após a viagem à Europa, passou um período nos Estados Unidos e se instalou na Cidade do Panamá.
O partido de Machado, Vente Venezuela, publicou imagens da política entre apoiadores e em uma missa no estado de Lara. Antes de conseguir voltar, ela tentou entrar no país por diferentes rotas, sem sucesso. A entrada neste domingo ocorreu depois de pelo menos sete tentativas frustradas, segundo informações divulgadas antes do retorno.
Edmundo González Urrutia, que disputou a Presidência em 2024 com o apoio de Machado, celebrou a volta e disse que pretende encontrá-la na Venezuela em breve. Ele afirmou que a líder da oposição está em território venezuelano e declarou que o retorno marca a volta da “voz soberana” para conduzir o processo político.
González e seus apoiadores afirmam que ele venceu a eleição presidencial de 2024. O governo de Nicolás Maduro não divulgou a apuração completa do pleito. Machado havia sido impedida de concorrer, e González foi o candidato apoiado por ela.
Desde a captura de Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente e antiga aliada do então presidente, governa como presidente interina. Ela recebeu o aval do governo de Donald Trump para assumir o cargo. Trump e Rodríguez disseram que haverá eleições, mas não anunciaram quando; Rodríguez já ultrapassou o período inicialmente autorizado para exercer a presidência interina.
Machado e seus aliados defendem que as eleições presidenciais sejam marcadas, e a opositora propõe que ocorram até julho de 2027. O governo dos Estados Unidos tem priorizado a estabilização econômica, enquanto negocia com Caracas mudanças nas instituições eleitorais e judiciais. O partido de Machado não participa dessas conversas.
Na quinta-feira, 22, milhares de venezuelanos protestaram em Caracas e em outras cidades por eleições livres, um calendário eleitoral e a libertação de presos políticos. Foi a primeira mobilização nacional da oposição em quase dois anos.
Para entender
- Edmundo González Urrutia
- Político venezuelano que disputou a Presidência em 2024 com o apoio de María Corina Machado, impedida de concorrer. González e seus apoiadores afirmam que ele venceu a eleição, cuja apuração completa não foi divulgada pelo governo de Nicolás Maduro.