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Sábado, 24 de outubro de 2026

María Corina Machado critica empresário ligado a acordo de petróleo

Em entrevista no Panamá, a opositora diz que Alejandro Betancourt não seria parceiro adequado e afirma que contratos legais serão respeitados.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Instalações de uma refinaria de petróleo na Venezuela ao entardecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Instalações de uma refinaria de petróleo na Venezuela ao entardecer.
Resumo em 30 segundos

María Corina Machado acusou Alejandro Betancourt López de corrupção e criticou sua atuação no setor de energia venezuelano. O empresário está ligado a um acordo com o governo dos Estados Unidos sobre petróleo. Machado afirmou que respeitará contratos compatíveis com a legislação venezuelana se chegar ao poder, mas questionou a participação de Betancourt.

A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado acusou o empresário Alejandro Betancourt López de envolvimento em “corrupção escandalosa” e afirmou que ele não seria um parceiro de negócios adequado caso ela chegue ao poder. A declaração foi feita em uma entrevista no Panamá, em meio à aproximação de Betancourt com Washington e a um acordo ligado ao setor petrolífero da Venezuela.

O empresário passou a ocupar posição central na estratégia dos Estados Unidos para a indústria de petróleo venezuelana após fechar um pacto com o governo do presidente Donald Trump. O acordo prevê que sua empresa controle cerca de um quinto das reservas de petróleo do país, segundo as informações divulgadas sobre a negociação. Um funcionário do governo norte-americano afirmou que a escolha se deveu ao histórico de sucesso da companhia e que o contrato será submetido a auditorias rigorosas.

Machado criticou a trajetória de Betancourt no setor de energia e disse que ele lucrou com contratos enquanto a rede elétrica venezuelana continuava sem ser consertada. A líder opositora afirmou que o empresário está entre os responsáveis pelas dificuldades enfrentadas pela população. Um auditor independente venezuelano do setor de energia apontou que a fortuna de Betancourt foi construída, em parte, com contratos sem licitação para usinas, que teriam envolvido preços superfaturados cobrados de entidades estatais.

A porta-voz de Betancourt, Sara Chouraqui, afirmou que ele nunca foi acusado de crime em nenhuma jurisdição. Representantes do empresário e da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A entrevista não detalhou as etapas do acordo petrolífero nem informou quando o controle previsto começará.

Questionada sobre o futuro de acordos recentes envolvendo petróleo e outros recursos, Machado afirmou que contratos compatíveis com a legislação venezuelana serão respeitados. “Quero deixar bem claro: se estiverem alinhados com as leis venezuelanas, os contratos e acordos que estão sendo firmados serão respeitados”, disse. Ela acrescentou que a Venezuela precisa de segurança, estabilidade e legitimidade para ampliar os negócios e os investimentos.

O pacto ocorre durante uma reorganização política conduzida por Washington. Depois da captura do então presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em 3 de janeiro, Delcy, que era vice-líder do governo, assumiu a liderança interina. Maduro está preso em Nova York, onde enfrenta acusações de narcotráfico e tortura. Os Estados Unidos anunciaram um plano para administrar as finanças venezuelanas em três etapas: estabilização, recuperação econômica e transição democrática.

Machado disse acreditar que o governo Trump pretende, em última instância, promover a democracia, mas criticou a decisão de manter Delcy no comando. Para a opositora, a presidente interina integra o sistema que governou o país e os acordos poderiam ter sido feitos sem ela. Ainda assim, afirmou que o êxito do plano é do interesse dos venezuelanos. O governo dos EUA, por sua vez, tem elogiado o trabalho de Delcy; Trump disse que ela vem fazendo “um ótimo trabalho”.

A líder oposicionista afirmou que não participou das negociações em Caracas entre o governo interino e outro grupo de oposição. Um porta-voz do Departamento de Estado declarou que o partido de Machado havia sido convidado e disse que ela pode voltar à Venezuela quando quiser. Machado, que vive no exterior, afirmou que pretende retornar “mais cedo do que vocês imaginam” e mobilizar apoiadores para uma futura votação.

A disputa sobre a legitimidade do poder remonta à eleição presidencial de 2024. Machado havia vencido uma primária da oposição e apoiou um candidato no pleito presidencial. Embora a oposição tenha reunido atas que, segundo ela, mostravam a vitória de seu candidato, Maduro reivindicou o resultado. Protestos se seguiram; mais de 2.000 pessoas foram presas e mais de duas dezenas morreram durante os distúrbios, segundo o relato publicado.

A oposição e o futuro do setor petrolífero permanecem ligados à transição que Washington diz pretender conduzir. Machado afirmou que, se vencer uma eleição, respeitará os contratos que cumprirem as leis do país, mas sua crítica a Betancourt sinaliza que a participação do empresário pode ser contestada por um eventual governo oposicionista. A líder também declarou que alguns crimes previstos na Constituição e em tratados internacionais não podem ser perdoados, mas não disse se Delcy poderia ser presa.

Fontes: Folha de S.Paulo

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