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Sábado, 24 de outubro de 2026

Marco Rubio convoca cubanos a colaborar discretamente com a CIA

A agência divulgou orientações para contatos seguros, enquanto Donald Trump voltou a defender uma mudança de regime e autoridades cubanas criticaram Washington.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa usa um laptop em um ambiente discreto, com a costa cubana ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa usa um laptop em um ambiente discreto, com a costa cubana ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Marco Rubio pediu que cubanos colaborem discretamente com a CIA para promover mudanças na ilha. A agência publicou instruções para quem tiver informações de interesse. A convocação ocorre em meio à pressão econômica e política dos Estados Unidos, a declarações de Donald Trump sobre Cuba e à reação de autoridades cubanas.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, convocou nesta sexta-feira, 23, os cubanos a colaborar discretamente com a Agência Central de Inteligência (CIA) para promover mudanças em Cuba. A declaração ocorreu em meio ao aumento da pressão do governo de Donald Trump sobre a ilha, e foi criticada por autoridades cubanas.

“Àqueles que buscam criar uma mudança positiva em Cuba: este é o momento”, escreveu Rubio na rede social X. Ele mencionou promessas não cumpridas, corrupção e privilégios e afirmou que a colaboração com a CIA poderia ajudar a alcançar a mudança desejada.

A agência publicou um vídeo em espanhol com orientações para pessoas que tenham informações de interesse. A CIA recomendou que, se for seguro, elas procurem pessoalmente uma instalação oficial dos Estados Unidos. Para contatos pelo site, sugeriu o uso de uma rede segura, como uma rede privada virtual (VPN), navegador em modo privado e endereço de e-mail descartável, sem dados pessoais. Também pediu que os informantes estejam prontos para fornecer cidade de residência, ocupação, nível de acesso e meios de contato.

O vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío, respondeu que os Estados Unidos passaram a fazer “recrutamentos públicos da CIA”. Ele acrescentou que a agência parecia estar em situação de “muito desespero ou pobreza” por divulgar suas ofertas como se fossem pasta de dente. O chanceler Bruno Rodríguez também rejeitou ameaças de Washington e afirmou que a costa cubana tem formações rochosas inóspitas para quem chegasse com intenções hostis.

No mesmo dia, durante um comício na Flórida, Trump voltou a falar em mudança de regime. Disse que navios militares passariam diante de Cuba e que um deles poderia parar perto da costa; depois, segundo ele, Rubio seria enviado para “fechar o acordo”. A ilha fica a cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida.

A convocação da CIA ocorre enquanto o governo Trump mantém medidas econômicas e políticas contra Havana. Desde janeiro, os Estados Unidos aplicam um bloqueio ao petróleo, que agravou uma crise econômica e energética já existente. Cuba produz 40% do petróleo que consome, usado principalmente nas sete usinas termelétricas que sustentam o sistema elétrico do país, segundo as informações divulgadas.

A pressão também inclui sanções contra empresas estatais e dirigentes do setor. Nesta semana, a promotoria da Flórida apresentou acusações de homicídio contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, relacionadas à derrubada de dois aviões em 1996. Ele já havia sido alvo, em maio, de uma acusação federal referente ao mesmo episódio. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que essa acusação não tem base legal e busca justificar uma agressão contra a ilha.

Trump já usou uma acusação dos Estados Unidos como justificativa para uma operação militar: em janeiro, forças americanas bombardearam a Venezuela e capturaram o então presidente Nicolás Maduro, aliado de Havana. O episódio é citado no contexto da apreensão cubana diante das declarações de Washington.

Fontes: Estadão

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