Mara Suassuna diz que empresas buscam funcionários alinhados à direita
A psicóloga afirma que empresários pediram a troca de empregados após as eleições; o MPT contabilizou 1.937 denúncias de assédio eleitoral.
Resumo em 30 segundos
Mara Suassuna afirmou que empresários a procuraram após as eleições para pedir a contratação de profissionais alinhados à direita e a substituição de funcionários. Ela diz que a exigência se relaciona a valores da empresa. O MPT informou ter recebido 1.937 denúncias de assédio eleitoral e obtido 52 decisões liminares sobre o tema.
A psicóloga goiana Mara Suassuna afirmou que empresários a procuraram após o resultado das eleições para pedir a substituição de funcionários por profissionais alinhados à direita. Ela ganhou repercussão nas redes sociais depois de dizer que não selecionava candidatos petistas para vagas de emprego e relatou ter recebido pedidos semelhantes de clientes de sua empresa de recrutamento e seleção.
Em um vídeo publicado na segunda-feira seguinte ao segundo turno presidencial, Suassuna disse que empresários queriam contratar colaboradores com base no critério de não serem petistas. Ela declarou que a exigência estaria ligada a valores e não necessariamente à filiação ou à ideologia partidária.
A psicóloga afirmou que a compatibilidade entre os valores de funcionários e empregadores influencia os resultados das empresas. Como referência, citou a teoria de valores básicos do psicólogo Shalom H. Schwartz. “Onde não existe compartilhamento de valores, de missão, não tem resultados. Então não é uma questão apenas de ideologia. Não dá para contratar um funcionário que não tenha os valores que são os valores da minha empresa”, disse.
O Código de Ética Profissional da Psicologia proíbe que profissionais induzam convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas ou religiosas no exercício de suas funções, além de vedar práticas de preconceito. A legislação trabalhista também proíbe discriminação no acesso ao emprego e prevê sanções para restrições consideradas abusivas.
A prática de pressionar trabalhadores por causa de suas escolhas políticas é chamada de assédio eleitoral. O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou ter recebido 1.937 denúncias relacionadas às eleições daquele ano até as 23h59 de domingo, 26. O órgão obteve 52 decisões liminares em 59 ações civis públicas para combater esse tipo de conduta e proteger o direito ao voto livre.
São Paulo registrou o maior número de queixas, com 350, seguido por Minas Gerais, com 212, e Rio de Janeiro, com 169. Entre o primeiro e o segundo turnos, o MPT contabilizou 946 denúncias e sua atuação resultou na assinatura de 53 termos de ajuste de conduta, instrumentos que formalizam compromissos para corrigir irregularidades e evitar novas violações.
A matéria não informa o número de registro profissional de Suassuna no Conselho Regional de Psicologia nem detalha perfis oficiais dela nas redes sociais. O conteúdo disponível também não esclarece se houve investigação ou procedimento aberto contra a psicóloga por causa das declarações.
Para entender
- Assédio eleitoral
- É a pressão ou tentativa de constrangimento de trabalhadores relacionada a suas escolhas políticas ou ao exercício do voto. A conduta pode envolver empregadores e afetar a liberdade política dos trabalhadores.