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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro pede cassação da chapa de Lula no TSE

A campanha afirma que vai contestar suposto abuso de poder político e econômico, mas não pretende pedir a anulação do resultado das urnas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília sob céu nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília sob céu nublado.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir ao TSE a cassação da chapa de Lula, eleito para um novo mandato. A iniciativa deve contestar medidas do governo que, segundo aliados do senador, favoreceram o presidente durante a campanha. O PL reconheceu o resultado, mas defendeu que os questionamentos sejam esclarecidos.

Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (26) que pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito no domingo para um novo mandato. A campanha do senador desistiu de pedir a anulação do segundo turno e pretende contestar medidas do governo que, segundo aliados, teriam favorecido Lula durante a disputa. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado da eleição.

Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21%, depois de o senador terminar o primeiro turno à frente. Na noite de domingo, Flávio disse que não reconhecia a vitória do adversário e que pediria a anulação da eleição. Menos de 24 horas depois, publicou um vídeo em que deixou de mencionar a anulação e afirmou que pretende organizar a oposição para “resistir ao caos”.

A ação eleitoral planejada pela campanha terá como foco a alegação de abuso de poder político e econômico pela chapa de Lula. A iniciativa não questionará o sistema de votação nem pedirá que o resultado das urnas seja invalidado. Uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije), instrumento usado para apurar abuso de poder e outras irregularidades em campanhas, já havia sido apresentada durante a disputa contra Lula e o candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB).

No vídeo, Flávio acusou o PT de promover um “complexo industrial de fake news”, com “a difusão ilegal e em massa de mentiras”. Ele também voltou a responsabilizar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin pela ampliação do horário de votação. O senador afirmou que o domingo não foi normal e disse que o PT também levantaria suspeitas se o resultado tivesse sido outro.

O TSE informou que a extensão do período de votação não alterou o resultado. A campanha de Lula e a de Flávio haviam pedido a prorrogação por duas horas, mas apresentaram justificativas diferentes: o PT citou dificuldades no transporte público, enquanto o PL apontou problemas relacionados às chuvas. Estimativas extraoficiais sobre o número de eleitores que votaram depois das 17h variaram de 5 mil a 34 mil, quantidade inferior à diferença entre os candidatos.

Aliados de Flávio concentraram parte das críticas em medidas do governo federal anunciadas perto da eleição, como o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e o reajuste do Bolsa Família. Eles sustentam que o aumento de benefícios e gastos públicos desequilibrou a disputa e poderia configurar abuso de poder econômico. O valor do pacote é objeto de divergência: interlocutores da campanha falam em R$ 400 bilhões, enquanto uma estimativa publicada durante a eleição calculou R$ 290 bilhões.

Valdemar declarou que o PL reconhece o resultado proclamado pelo TSE, mas defendeu que os questionamentos sejam discutidos. Em manifestação pública, o dirigente afirmou que a ampliação dos gastos com benefícios sociais antes da votação levanta dúvidas sobre os efeitos dessas medidas na igualdade da disputa. Ele não endossou expressamente a iniciativa de cassação anunciada por Flávio.

O resultado provocou manifestações distintas entre integrantes da oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que há perguntas sem resposta, mas classificou como “praticamente nula” a possibilidade de anulação do segundo turno. Ele pediu prudência aos apoiadores e recomendou que não participassem de atos públicos. Fernando Holiday, ex-vereador, afirmou que o grupo deveria reconhecer possíveis erros cometidos entre o primeiro e o segundo turno.

Outros políticos do PL reconheceram a derrota ou mantiveram cobranças por esclarecimentos. O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, disse que respeita a vontade dos eleitores; o senador e governador eleito do Paraná, Sergio Moro, afirmou que o resultado não era o esperado e que questionamentos da oposição precisam ser esclarecidos. O governador eleito do Rio Grande do Sul, Zucco, também pediu esclarecimentos sobre o que chamou de interferências e dados contraditórios.

Na disputa legislativa e estadual, o PL elegeu 121 deputados federais, 18 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores, segundo os números citados pela direção do partido. Flávio afirmou que pretende atuar como líder da oposição, enquanto seus aliados discutem como levar as acusações à Justiça Eleitoral. A cassação de uma chapa eleita depende de decisão do TSE após a análise do processo e das provas apresentadas.

Para entender

Ação de investigação judicial eleitoral
A Aije é um instrumento da Justiça Eleitoral para investigar abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante campanhas. Se as irregularidades forem comprovadas, a ação pode levar a sanções previstas na legislação eleitoral.

Fontes: Folha de S.Paulo, Valor Econômico, O Globo

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