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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Abstenção no segundo turno cai a 19,2%, menor índice em 20 anos

A abstenção no segundo turno de 2026 ficou em 19,2%, após 21% no primeiro; idosos, para quem o voto é facultativo, foram apontados como parte da queda.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores idosos chegam acompanhados a um local de votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores idosos chegam acompanhados a um local de votação.
Resumo em 30 segundos

A abstenção no segundo turno da eleição presidencial caiu para 19,2%, o menor índice em 20 anos, ante 21% no primeiro turno. Cerca de 30,5 milhões de eleitores não compareceram. A participação de pessoas com 70 anos ou mais foi apontada como um dos fatores da redução.

A abstenção no segundo turno da eleição presidencial caiu para 19,2%, o menor índice em 20 anos, e foi de 21% no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. O resultado representa 30,5 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no segundo turno, disputado no último domingo, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) e foi reeleito, com mais de 4 milhões de votos de vantagem. A participação de eleitores idosos, para quem o voto é facultativo a partir dos 70 anos, foi apontada como um dos fatores da redução.

A carioca Lucia Maria de Oliveira, de 77 anos, não votou no primeiro turno porque o elevador da escola onde fica sua seção eleitoral, no campus da Faetec em Quintino, na zona norte do Rio, estava quebrado. Ela voltou às urnas no segundo turno. O equipamento foi reparado antes da votação, após a substituição de uma peça que não havia chegado a tempo.

“Estava cansada, sem coragem. Mas depois da vitória do Flávio, fui votar no 2º turno para fazer a diferença”, afirmou Lucia. Ela disse que subiria as escadas se o elevador ainda estivesse parado e declarou ver Lula como alguém que pode “fazer o melhor”.

A presença de eleitores mais velhos foi uma das estratégias da campanha petista. Pessoas com 70 anos ou mais representam mais de 10% do eleitorado, e Lula agradeceu a participação desse grupo no discurso da vitória. “Conseguimos convencê-las que o voto era importante”, disse o presidente reeleito.

Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia Pesquisas, afirmou que encontrou idosos dispostos a votar em grupos qualitativos. Na avaliação dele, a postura de Flávio Bolsonaro em um debate e a referência aos “nove dedos”, em alusão a Lula, teriam afastado parte desses eleitores. Dorgan também citou a reação da campanha petista a uma declaração de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha bolsonarista, sobre mudanças na aposentadoria.

Em Engenheiro Paulo de Frontin, no interior do Rio, Maria França Cosme, de 93 anos, votou nos dois turnos. Ela foi acompanhada por um dos filhos e disse que compareceu às urnas porque acreditava que a disputa seria apertada. “Meu voto não é mais por mim, é pela minha família. Eles vão precisar”, afirmou.

A aposentada Zulmira Magalhães, de 88 anos, também votou nos dois turnos. Moradora de Iguaba Grande, na Região dos Lagos, ela apareceu em um vídeo publicado pelo neto, o jornalista João Carlos Martins, indo à seção com um andador. A gravação circulou nas redes sociais. “Tenho 88 anos, mas estou firme e forte”, disse Zulmira.

Em Irecê, no centro-norte da Bahia, o mecânico aposentado Roque Torres Amorim, de 101 anos, foi votar usando boné e broche do PT, partido ao qual é filiado. O vídeo publicado pela família ultrapassou 1 milhão de visualizações no Instagram. “Em qualquer eleição, voto”, afirmou Amorim, que contou com a ajuda dos filhos para chegar ao local de votação.

O voto é facultativo para pessoas com 70 anos ou mais; para os demais eleitores, o comparecimento é obrigatório, salvo exceções previstas na legislação. A abstenção mede a proporção de eleitores aptos que não comparecem para votar e pode variar entre os turnos de uma mesma eleição.

Fontes: O Globo

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