Flávio Bolsonaro promete revogar normas e ampliar vagas em presídios
Em encontro com empresários em São Paulo, o candidato também defendeu penas maiores, castração química para alguns crimes e cinco indicações conservadoras ao STF.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro apresentou propostas a empresários em São Paulo, a 12 dias do segundo turno. Prometeu revogar por decreto mais de mil atos normativos e criar mais de 500 mil vagas em presídios. Também defendeu penas maiores, castração química para alguns crimes e ao menos cinco indicações conservadoras ao Supremo Tribunal Federal.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu reduzir burocracias e aliviar custos para empreendedores durante um encontro com empresários e representantes de entidades do setor produtivo realizado nesta terça-feira (13), em São Paulo. A 12 dias do segundo turno, ele também apresentou propostas para segurança pública e para o Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu apoio à sua candidatura.
O evento, no Clube Atlético Monte Líbano, reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, segundo os organizadores. Estavam presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e dirigentes de entidades empresariais, industriais, comerciais e do agronegócio.
Ao falar de sua equipe, Flávio disse que, se eleito, pretende ter no governo mais pessoas como Tarcísio e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e porta-voz econômica de sua campanha, e menos nomes como Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, e Dilma Rousseff, ex-presidente. Ele afirmou que quer “tirar o peso para quem quer empreender”.
O candidato anunciou a intenção de revogar, por decreto, mais de mil atos normativos que, segundo ele, criaram burocracia. Disse que o texto já está pronto e pediu apoio das federações presentes. Também afirmou que o cidadão estará no centro de seu governo e criticou a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atribuindo a ela o endividamento das famílias, a saída de indústrias do país e a violência.
Flávio rebateu ainda o que chamou de informações falsas divulgadas pela campanha adversária, entre elas que acabaria com o Bolsa Família e o Pé-de-Meia. Disse que não pretende governar por revanche: “Não vai ter vingança, eu vou olhar para frente, fazer a coisa certa”.
Na área de segurança pública, o senador defendeu ampliar o sistema prisional e aumentar penas. Disse que já conversa sobre o tema com Guilherme Derrite (PP), senador eleito e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, e citou como referência as políticas do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido pela construção de megapresídios.
Flávio prometeu criar mais de meio milhão de vagas em presídios e afirmou que estupradores e pessoas que abusarem de mulheres e crianças ficariam mais tempo presos e poderiam sofrer castração química. Para quem roubar celulares, propôs uma pena mínima de oito anos de prisão, além de trabalho obrigatório. As medidas dependeriam de mudanças legais e, no caso de penas, de aprovação do Congresso.
O candidato também afirmou que pretende indicar ao menos cinco ministros conservadores para o STF. Disse que escolheria pessoas contrárias ao aborto e às drogas, favoráveis ao empreendedorismo e que, em sua avaliação, respeitariam a Constituição e dariam segurança jurídica a investidores. Ministros do Supremo são indicados pelo presidente da República e precisam ser aprovados pelo Senado.
Tarcísio apoiou a candidatura e afirmou acreditar que Flávio “vai ser maior que o pai”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador também pediu que os presentes conversem com eleitores indecisos e os convocou para um ato de apoio ao senador na Avenida Paulista, marcado para domingo (18). “Quem cuida das contas, cuida das pessoas”, disse Tarcísio, ao contrapor responsabilidade fiscal ao que classificou como gasto público desenfreado e populismo.
Flávio afirmou que quer se apresentar como um candidato diferente do pai, Jair Bolsonaro. Disse que, ao assumir a disputa, falou a Tarcísio que os eleitores veriam “um Bolsonaro diferente” e comparou a relação entre os dois à de um filho com Pelé: “Como é que você compara um filho do Pelé com o Pelé? Não dá”. Segundo ele, a eleição de 2026 pede alguém mais próximo de seu perfil do que a de 2018, quando, em sua avaliação, o eleitor buscava alguém semelhante a Jair Bolsonaro.
O senador contou que visitou o pai mais cedo, após três meses sem encontrá-lo. A visita ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizar a retomada dos encontros. Flávio disse estar feliz e motivado após rever Jair Bolsonaro.
Ricardo Nunes também discursou e pediu que apoiadores não tratem a disputa como vencida, apesar de se dizer convencido de que Flávio seria um dos melhores presidentes do país. No encontro, o presidente da Associação Comercial de São Paulo apresentou propostas da entidade, e Ana Cláudia Badra, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura, entregou ao candidato um manifesto sobre o ambiente para mulheres empreendedoras. O evento foi promovido pelo Sistema do Associativismo e fechado a convidados.
Para entender
- Supremo Tribunal Federal
- O STF é a mais alta instância do Judiciário brasileiro e tem 11 ministros. O presidente da República indica nomes para as vagas, mas cada indicação precisa ser aprovada pelo Senado Federal.