Lula muda campanha e aposta em virada no segundo turno de 2026
Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro em 4 de outubro, o presidente aposta em redes sociais, propostas econômicas e atos para conquistar indecisos.
Resumo em 30 segundos
Depois do resultado do primeiro turno, Lula reorganizou a campanha para enfrentar Flávio Bolsonaro na votação deste domingo, 25 de outubro. A estratégia inclui ampliar a presença nas redes e nas ruas, apresentar propostas econômicas e intensificar críticas ao adversário. A campanha também busca conversar com eleitores indecisos e com quem votou em Flávio.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reorganizou a campanha para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para este domingo (25), e aposta em uma virada após terminar atrás do adversário na votação de 4 de outubro. Na reta final, o presidente mudou a estratégia de comunicação, ampliou a mobilização nas ruas e passou a enfatizar propostas voltadas a eleitores indecisos e a criticar com mais força o senador.
Lula obteve 45% dos votos no primeiro turno, seu pior resultado desde 1998, enquanto Flávio saiu na frente. A distância entre os dois diminuiu ao longo da campanha, conforme levantamentos de intenção de voto. Na quarta-feira (21), pesquisa Quaest mostrou que a rejeição a Lula recuou de 53% para 47%; a de Flávio caiu de 54% para 52%. Na pesquisa espontânea, o percentual de indecisos passou de 7% para 14%.
A mudança começou depois que o resultado do primeiro turno surpreendeu a equipe petista. O desempenho da direita nas urnas e a ampliação das bancadas de oposição no Congresso levaram os coordenadores a rever a estratégia. Lula também passou a aceitar mais a participação de lideranças com experiência eleitoral e de comunicação.
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ficou responsável pela comunicação; Rui Costa, reeleito senador e ex-governador da Bahia, assumiu a organização da agenda; e Camilo Santana, ex-governador do Ceará, passou a coordenar a articulação política. O grupo incorporou lideranças mais jovens e ampliou a atuação nas redes sociais.
Entre as iniciativas digitais, o deputado André Janones (Rede-MG) criou um canal no WhatsApp que chegou a 10 milhões de inscritos. Lula também passou a gravar vídeos informais em formato de selfie. Em duas semanas, o presidente superou Flávio em interações nas redes: foram 200 milhões para o petista, contra 54 milhões para o senador, segundo levantamento do Projeto Brief.
“Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, afirmou Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT. A campanha também promoveu caminhadas em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, com o objetivo de dar mais visibilidade ao candidato e mobilizar apoiadores.
No discurso, Lula deixou de concentrar a mensagem na comparação entre as trajetórias pessoais dos dois candidatos e passou a falar mais de prosperidade e empreendedorismo. O presidente anunciou medidas para microempreendedores, incluindo perdão de dívidas e linhas de microcrédito, e prometeu passe livre no transporte público aos fins de semana e a expansão do Pé-de-Meia para estudantes de universidades públicas e bolsistas do Prouni.
A campanha também passou a destacar a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1, aprovada no Senado, e a questionar como Flávio pretende reduzir despesas públicas. Lula afirmou que o plano do adversário poderia levar a cortes em programas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular. As críticas ao senador se intensificaram na propaganda de rádio e televisão.
Lula associou Flávio a milicianos e cobrou explicações sobre mais de R$ 60 milhões que, segundo a campanha petista, o senador recebeu do banqueiro Daniel Vorcaro. Também mencionou o trabalho de Flávio como advogado de um policial suspeito de matar uma menina de cinco anos. Essas afirmações foram usadas pela campanha de Lula para ampliar a rejeição ao adversário.
A troca de acusações incluiu uma disputa sobre a abertura de sigilos. Depois de uma sugestão do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Lula propôs que ambos apresentassem dados bancários, fiscais e telefônicos. No debate da Band, no domingo anterior, o presidente disse que mostraria os extratos de sua família se Flávio fizesse o mesmo. O senador apresentou 19 condições, aceitas por Lula, e as campanhas anunciaram na quinta-feira (22) um acordo para autorizar a abertura dos sigilos. Até agora, nenhum dado foi divulgado.
Para buscar votos, a campanha petista também orientou apoiadores a conversar com eleitores que ainda não decidiram em quem votar e com pessoas que escolheram Flávio no primeiro turno. A recomendação foi ouvir as preocupações dos eleitores antes de tentar convencê-los. A mobilização se intensificou na última semana, com atos em diferentes estados.
Lula participou de uma caminhada no centro de Porto Alegre na segunda-feira (19), acompanhado por uma multidão. Na capital gaúcha, ele havia superado Flávio no primeiro turno por 48,5% a 41,8%, a maior vantagem do petista fora do Nordeste. A apuração deste domingo definirá se Lula conquista um quarto mandato presidencial, o que o tornaria o presidente eleito por voto popular com mais tempo no cargo na história republicana.