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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula inicia quarto mandato com pressão por ajuste fiscal e previsibilidade

Economistas e representantes de setores cobram equilíbrio das contas, regras estáveis e clareza sobre as prioridades do governo que começa em janeiro.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Lula discursa em um púlpito em um evento público, com bandeiras do Brasil ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Lula discursa em um púlpito em um evento público, com bandeiras do Brasil ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Após vencer Flávio Bolsonaro, Lula assumirá em janeiro de 2027 seu quarto mandato, que deve durar até o fim de 2030. Economistas e representantes empresariais apontam o ajuste fiscal, a previsibilidade e a segurança jurídica como desafios. Promessas de campanha podem representar ao menos R$ 53,6 bilhões no Orçamento de 2027.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial neste domingo (25) e tomará posse para um quarto mandato em janeiro de 2027, com previsão de permanecer no cargo até o fim de 2030. Economistas, empresários e representantes de diferentes setores apontam o ajuste das contas públicas, a previsibilidade das decisões e a segurança jurídica como desafios centrais do novo governo.

A expectativa entre os entrevistados é que as primeiras escolhas da gestão deem sinais sobre a condução da economia. Especialistas defendem que Lula anuncie em breve quem ocupará o Ministério da Fazenda, pois a indicação pode mostrar como o governo pretende lidar com as despesas e as prioridades orçamentárias.

Entre os pontos que geram preocupação estão promessas feitas por Lula durante a campanha, como a tarifa zero no transporte público aos fins de semana, a ampliação do Pé-de-Meia para universitários e o perdão de dívidas de microempreendedores individuais. As medidas podem representar ao menos R$ 53,6 bilhões no Orçamento de 2027, segundo estimativa citada durante a campanha.

O economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Jubarte Capital, afirmou que o presidente terá de promover um ajuste relevante nas contas. Na avaliação dele, sem essa mudança, o país pode enfrentar recessão e o governo terá dificuldade para conduzir sua agenda. O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, também apontou o reequilíbrio fiscal como um dos principais desafios.

O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga resumiu a tarefa como uma mudança da política para a economia. Ele disse: “Feita a virada política, é hora de governar e virar a economia”. Fraga manifestou preocupação, durante a campanha, com a situação das contas públicas.

João Amoêdo, empresário e um dos fundadores do Partido Novo, afirmou que Lula tem a oportunidade de governar para todos, reduzir a polarização e administrar as contas com responsabilidade. Segundo Amoêdo, se o presidente não seguir esse caminho, poderá haver espaço para uma candidatura bolsonarista em 2030.

A Previdência Social também foi citada como prioridade por Daniel Wainstein, co-CEO da Seneca Evercore. Ele observou que a previsão de gastos com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Orçamento de 2026 ficou em cerca de R$ 1,1 trilhão. Para Wainstein, adiar medidas de ajuste pode comprometer os recursos destinados às prioridades sociais do governo.

Executivos também relacionaram as condições para investimento à estabilidade das regras e à redução dos custos das empresas. Murilo Barbosa, presidente da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP), defendeu segurança jurídica, estabilidade regulatória e uma reforma tributária que favoreça a modernização da infraestrutura. Augusto Salomon, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), pediu simplificação tributária e investimentos no setor. Ele espera que esses temas sejam tratados nos primeiros 100 dias de gestão.

A regulamentação do fim da escala 6x1 preocupa Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Ele disse que uma mudança sem revisão pode levar o país à recessão e também defendeu atenção às contas públicas. A escala 6x1 corresponde a seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso; mudanças em sua regulamentação podem afetar a organização das jornadas em diferentes atividades.

Flávio Augusto da Silva, fundador da rede Wise Up, afirmou que as sinalizações econômicas feitas por Lula na campanha podem prolongar juros acima de dois dígitos e dificultar a situação de empresas com dívidas contraídas durante a pandemia. Outros representantes, porém, destacaram expectativas de crescimento, crédito e geração de empregos. Renata Herani, CEO do Technobank, defendeu a continuidade da ampliação do acesso ao crédito para mobilidade, enquanto Ana Celina Bueno, presidente da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), citou juros mais baixos, crédito e infraestrutura como prioridades para o setor produtivo.

Breno Masi, co-CEO do iFood, afirmou que as empresas precisam de maior previsibilidade e segurança jurídica para investir e criar empregos. Na avaliação dele, empreendedores não devem ser tratados como parte do problema. O conjunto das demandas aponta para a expectativa de que o novo mandato combine financiamento de políticas sociais, equilíbrio fiscal e regras estáveis para a atividade econômica.

Fontes: Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo

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