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Sábado, 24 de outubro de 2026

Lula e Flávio têm avaliações distintas em pesquisa sobre debate da Globo

Estudo com 80 eleitores apontou a resposta sobre os “nove dedos” como destaque de Lula e as propostas de segurança de Flávio; 60 seguiram indecisos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Grupo de eleitores acompanha um debate e conversa em uma sala de pesquisa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Grupo de eleitores acompanha um debate e conversa em uma sala de pesquisa.
Resumo em 30 segundos

Pesquisas qualitativas sobre o debate da TV Globo registraram boa recepção à resposta de Lula à provocação sobre o dedo perdido e às propostas de segurança de Flávio. A troca do nome da mãe de Ana Clara foi criticada. No estudo com 80 pessoas, 60 terminaram sem definir o voto, resultado que não representa o eleitorado brasileiro.

Pesquisas qualitativas realizadas durante o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), exibido pela TV Globo na sexta-feira, apontaram reações favoráveis a momentos diferentes dos candidatos. A resposta de Lula à provocação sobre seus “nove dedos” e as propostas de Flávio para a segurança pública tiveram boa recepção, enquanto a troca do nome da mãe de Ana Clara pelo da própria menina foi avaliada como um dos piores momentos do senador.

Os levantamentos também registraram críticas ao desempenho dos dois. Participantes consideraram Lula cansado e com pouca energia, além de apontarem dificuldades para controlar o tempo das respostas. Flávio, por sua vez, foi visto por alguns como preparado e consistente, mas parte dos eleitores considerou suas falas ensaiadas e pouco espontâneas.

A pesquisa do Instituto Locomotiva identificou que a reação de Lula à expressão “nove dedos” despertou solidariedade, inclusive entre pessoas que não se identificam com o presidente. O senador usou a referência ao dedo mínimo que Lula perdeu em um acidente de trabalho para criticá-lo. O presidente respondeu contando a própria trajetória como trabalhador, e Flávio pediu desculpas durante o confronto.

Renato Meirelles, do Locomotiva, afirmou que a resposta do presidente foi o momento mais forte do debate. “Quando ele trocou a ofensa pela história de quem perde um dedo na fábrica, agradou até quem não gosta dele. A provocação do Flávio, ao contrário, soou insensível”, disse.

Em outro estudo, com 80 eleitores distribuídos em oito grupos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife, a cobrança de desculpas também foi o trecho de maior aprovação de Lula. Os participantes tinham entre 25 e 45 anos e incluíam indecisos, pessoas que votaram branco ou nulo no primeiro turno e apoiadores dos dois candidatos que admitiam mudar de escolha.

Para Flávio, as propostas de segurança pública, como reduzir a maioridade penal e endurecer punições, foram bem recebidas no levantamento do Locomotiva. No estudo com 80 participantes, a maior aprovação veio de promessas voltadas às regiões Norte e Sul. O senador mencionou reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação, prevenção de enchentes no Rio Grande do Sul e medidas para enfrentar o endividamento do estado.

Ele também falou em melhorar rodovias de Santa Catarina, ampliar o saneamento básico no Norte e empregar a Marinha no combate ao tráfico no Porto de Paranaguá, no Paraná. Meirelles avaliou que propostas como a redução da maioridade penal são compreendidas rapidamente por parte do eleitorado. Os participantes, porém, também cobraram explicações mais detalhadas sobre como as promessas seriam executadas.

O episódio envolvendo Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021, provocou avaliação negativa nos dois levantamentos. Lula perguntou a Flávio sobre sua atuação na defesa do policial militar acusado de fazer o disparo. Ao tentar se solidarizar com a mãe da criança, que estava na plateia, o senador a chamou pelo nome da filha.

A confusão foi considerada o pior momento de Flávio entre os 80 participantes e repercutiu negativamente nos grupos do Locomotiva, sobretudo entre mulheres. Meirelles também apontou desgaste causado pelas referências frequentes do senador a uísque e por seus apelos à religião.

Apesar de alguns participantes considerarem Flávio mais consistente, Meirelles disse que Lula estabeleceu maior conexão emocional ao falar de sua história. Na avaliação do pesquisador, a percepção de segurança associada à experiência do presidente pesou entre eleitores que receiam uma mudança de governo, sem necessariamente representar apoio ou fidelidade a Lula.

O estudo com 80 pessoas terminou com 60 participantes — 75% do grupo — ainda sem definir o voto. Os outros 20 se dividiram entre os dois candidatos. Esse resultado descreve apenas as pessoas acompanhadas e não representa uma estimativa da proporção de indecisos no eleitorado brasileiro: pesquisas qualitativas buscam entender percepções e motivos, mas não medem estatisticamente a intenção de voto nacional.

Os levantamentos apontaram ainda que os participantes preferiram discussões sobre temas cotidianos, como emprego, salários, preço dos alimentos e segurança, e rejeitaram ataques pessoais e acusações de corrupção sem convencimento. O debate foi considerado mais civilizado, mas também mais monótono que o confronto anterior, promovido pela Band. Alguns participantes o descreveram como um “vestibular pra presidente”.

A busca por “debate Globo Lula Flávio” também se relacionou a dúvidas sobre o desempenho dos candidatos e a falas que circularam após a transmissão. No debate, Lula pediu que o público consultasse o Google para conferir informações, e a forma como pronunciou o nome da plataforma virou assunto nas redes. Também houve interesse pela história de como perdeu o dedo e pela pergunta sobre quem ganhou o confronto.

Outro tema que chamou atenção foi a troca entre os candidatos sobre gastos com cartões corporativos e a Constituinte. As pesquisas qualitativas não determinam um vencedor eleitoral: elas mostram como grupos específicos interpretaram as falas e ajudam a compreender por que certas respostas aproximam ou afastam eleitores.

Para entender

Pesquisa qualitativa
Método que investiga percepções, opiniões e motivações de um grupo por meio de conversas e observações. Diferentemente de uma pesquisa quantitativa de intenção de voto, não estima estatisticamente a distribuição das preferências na população.

Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo

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