Lula defende ajuste fiscal e diz que pobres não pagarão a conta
Em reunião do CNPE, o presidente comparou a dívida pública do Brasil à de outros países e pediu uma apresentação sobre os dados do endividamento.
Resumo em 30 segundos
Lula defendeu a política fiscal do governo e afirmou que os mais pobres não serão sacrificados para ajustar as contas públicas. Na reunião do Conselho Nacional de Política Energética, comparou a dívida brasileira à de outros países e pediu ao ministro da Fazenda que apresente dados à imprensa. Também cobrou que os resultados sejam avaliados em relação ao cenário recebido em 2023.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira, em Brasília, a política fiscal do governo e afirmou que a população mais pobre não será submetida a sacrifícios para ajustar as contas públicas. Ele falou durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia, e pediu que a situação fiscal atual seja comparada à herdada do governo Jair Bolsonaro.
Lula elogiou a equipe econômica e disse que seus integrantes trabalham para manter o controle das contas, inclusive em discussões com outros ministérios sobre a distribuição do orçamento. “Ninguém neste País pode falar mais de responsabilidade fiscal do que minha equipe econômica”, afirmou. O presidente também declarou que aprendeu com a mãe, Dona Lindu, que “ninguém pode gastar mais do que tem”.
Ao falar do resultado fiscal, Lula disse que o governo está entregando o orçamento com superávit, embora o número não corresponda ao que o mercado financeiro deseja. Ele afirmou que o resultado representa o que o governo conseguiu fazer e reiterou que não pretende transferir o custo do ajuste aos mais pobres. O presidente mencionou um superávit de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB), mas não especificou a qual indicador ou período se referia.
Lula também afirmou que a dívida pública brasileira é apresentada de forma que, em sua avaliação, não reflete a situação “de verdade”. Comparou o endividamento do país com o dos Estados Unidos, da França, do Japão e da Itália e disse que, em relação ao PIB, as dívidas desses países seriam o dobro da brasileira. Ele pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que faça uma apresentação futura à imprensa sobre os dados da dívida.
A dívida pública corresponde aos compromissos financeiros assumidos pelo governo para cobrir despesas e refinanciar obrigações. A relação entre dívida e PIB é usada para avaliar o tamanho do endividamento em comparação com a economia do país; ela não é a mesma medida que o resultado primário, que compara receitas e despesas do governo antes do pagamento de juros.
As declarações ocorrem em meio à discussão sobre a trajetória das contas públicas e possíveis medidas de ajuste. Na quinta-feira, Lula se reuniu com ministros, ex-integrantes do governo e economistas para tratar da conjuntura econômica. Durigan afirmou que as propostas em estudo serão apresentadas ao presidente depois que ele retornar de uma viagem internacional, prevista para o dia 16.
O presidente também cobrou que a avaliação de seu governo leve em conta o quadro encontrado ao assumir, em 2023. Em uma das falas, disse que recebeu o país com déficit de 2,8% do PIB. Dados citados durante a discussão apontam, porém, que o governo central registrou superávit primário de 0,5% do PIB em janeiro de 2023, equivalente a R$ 46,4 bilhões.
Para entender
- CNPE
- O Conselho Nacional de Política Energética é um órgão que assessora a Presidência da República na formulação de políticas e diretrizes para os setores de energia e combustíveis. Reúne representantes do governo e pode propor medidas relacionadas à política energética nacional.
- Dívida pública
- É o conjunto de obrigações financeiras assumidas pelo governo. A relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) compara o valor devido à dimensão da economia, enquanto o resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros.