Lula busca substituto para Múcio no Ministério da Defesa
Cinara Wagner Fredo, atual secretária-geral da pasta, foi indicada por Múcio, mas Lula consulta aliados e avalia outros nomes para o cargo.
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José Múcio Monteiro informou que não pretende seguir à frente do Ministério da Defesa no próximo mandato e sugeriu Cinara Wagner Fredo para sucedê-lo. Lula ainda consulta aliados e considera outras opções. A escolha ocorrerá em meio a restrições orçamentárias e atrasos em programas estratégicos das Forças Armadas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um nome para substituir José Múcio Monteiro no Ministério da Defesa. Múcio informou que não pretende permanecer no cargo no quarto mandato e sugeriu a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, para sucedê-lo. Lula ainda não decidiu e consulta aliados sobre outras possibilidades.
Cinara é formada em Direito, tem mestrado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas e especialização em Política, Estratégia e Altos Estudos em Defesa pela Escola Superior de Guerra. Como secretária-geral, ela integra a estrutura do ministério, responsável por coordenar temas administrativos e de gestão da pasta. Uma eventual nomeação faria dela uma mulher civil à frente do ministério que se relaciona com as três Forças Armadas.
A escolha é discutida por diferentes grupos de aliados do presidente. Os ex-ministros da Defesa Jaques Wagner, Nelson Jobim e Celso Amorim procuram apoio do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e do senador Camilo Santana para defender outro nome. O grupo avalia que o próximo ministro deve ter experiência na área de Defesa e boa interlocução com os militares.
A indicação de Cinara tem a simpatia de Bruno Dantas, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e atual presidente do Conselho da Avibras. Outro nome citado para o posto é o da ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM). Entre petistas, ela também é lembrada como possível candidata a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) que Lula deverá preencher no quarto mandato.
A discussão ocorre em meio a restrições orçamentárias que afetam projetos militares. Nesta semana, o governo cancelou R$ 226,51 milhões em dotações do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e redirecionou os recursos para benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e para a oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Múcio já havia alertado publicamente para a falta de recursos e para a capacidade limitada de defesa do país. Em 27 de junho, durante um evento em Brasília, disse que a estrutura era “incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil”. Em agosto, ao comentar a hipótese de uma invasão dos Estados Unidos, afirmou que abriria o portão, por falta de equipamentos e de recursos para consertá-lo.
Na véspera da declaração de agosto, Lula defendeu mais atenção à Defesa e afirmou que o setor não deveria depender de sobras do Orçamento. O presidente citou as extensas fronteiras brasileiras e disse que o país precisava investir na área. O sucessor de Múcio, portanto, deverá lidar tanto com a definição de prioridades militares quanto com a disputa por recursos públicos.
Entre os programas afetados está o desenvolvimento do submarino nuclear, cuja entrega foi adiada para 2038. A Marinha informou ao ministério que os cerca de R$ 1,48 bilhão previstos no projeto de lei orçamentária de 2027 são insuficientes para cumprir o planejamento do programa.
A Força Aérea também enfrenta atrasos na aquisição dos caças Gripen. Das 36 aeronaves previstas, 11 estão em operação, enquanto 57% do orçamento estimado já foi consumido. No Exército, avançam lentamente projetos de mísseis de cruzeiro e balísticos, drones e defesa antiaérea de média altura.
Parte dos recursos para a Defesa até 2030 pode ser antecipada às Forças por meio da Lei Complementar 235, fora do arcabouço fiscal, para compensar bloqueios orçamentários deste ano. A antecipação, porém, pode reduzir os valores disponíveis nos anos seguintes. O cenário se soma à pressão para ampliar a participação militar no combate ao crime transnacional, outro desafio que ficará para a equipe escolhida por Lula.