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Sábado, 24 de outubro de 2026

Lula amplia mobilização para conquistar votos no segundo turno

A estratégia inclui conversas com familiares idosos e indecisos, além de mensagens sobre benefícios e a prova de vida do INSS, tema que chegou ao TSE.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jovem conversa com uma pessoa idosa à mesa de casa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovem conversa com uma pessoa idosa à mesa de casa.
Resumo em 30 segundos

Apoiadores de Lula intensificaram ações para conquistar votos antes do segundo turno, marcado para domingo (25). A mobilização inclui conversas com idosos e eleitores indecisos e a campanha informal “Lula + 1”. O texto também aborda mensagens oficiais sobre prova de vida do INSS e a decisão do TSE sobre o tema.

Nos dias que antecedem o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram ações para conquistar votos entre familiares idosos, eleitores indecisos e pessoas que escolheram outros candidatos no primeiro turno. A mobilização, que combina conversas presenciais e publicações nas redes sociais, inclui a campanha informal “Lula + 1”, associada a ativistas e ao deputado André Janones (Rede-MG).

A proposta é que cada apoiador tente obter ao menos um voto adicional para Lula. Orientações que circulam entre militantes recomendam conversar com parentes, vizinhos e conhecidos sem transformar a abordagem em confronto. Algumas mensagens também sugerem providenciar transporte para eleitores que queiram votar.

Um dos grupos visados é o de pessoas com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo. Cerca de 8 milhões de eleitores dessa faixa etária não compareceram às urnas no primeiro turno, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Materiais de campanha não oficiais orientam apoiadores a tratar de temas como aposentadorias, o programa Farmácia Popular e a resposta à pandemia.

Um documento de 12 páginas intitulado “Como vencer o 2º turno” circulou em universidades de Brasília. O roteiro recomenda dizer a eleitores idosos que o governo de Jair Bolsonaro desmontou o Farmácia Popular e que Lula recuperou o programa. A afirmação sobre o desmonte é falsa; Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, declarou que pretende manter o programa se for eleito.

O mesmo manual sugere relacionar os reajustes do salário mínimo acima da inflação ao impacto sobre as aposentadorias e afirmar que idosos foram “as principais vítimas do descaso de Bolsonaro com a Covid”. Para o especialista em Direito Eleitoral Guilherme Augusto Mota, o benefício previdenciário é garantido por lei, e sua continuidade não depende da eleição de um candidato específico. Flávio também disse que pretende reajustar aposentadorias acima da inflação.

Publicações de páginas não oficiais de apoio a Lula mostram jovens tentando convencer parentes idosos. Em um vídeo divulgado pelo perfil Brasil com Lula, Manuela d’Ávila, candidata derrotada do PSOL ao Senado pelo Rio Grande do Sul, incentiva jovens a conversar com familiares. Outra página, Lula versoficial, publicou uma animação de um jovem convidando moradores do bairro a votar no petista e uma imagem que retrata uma jovem levando uma idosa com dificuldade de locomoção até a seção eleitoral.

O manual também orienta apoiadores a abordar eleitores indecisos e pessoas que votaram em candidatos de terceira via sem insistir em elogios a Lula. A recomendação é reconhecer a legitimidade de outras escolhas e fazer perguntas sobre Flávio, em vez de apresentar acusações diretas. O objetivo, segundo o texto, seria permitir que o eleitor forme a própria conclusão.

A mobilização ocorre ao lado de comunicações oficiais sobre a prova de vida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mensagens enviadas pelo Gov.br no WhatsApp e pelo Meu INSS informaram beneficiários de que a votação poderia atualizar automaticamente a comprovação de vida. Uma delas dizia: “Vote nas Eleições 2026 e tenha sua comprovação de vida atualizada automaticamente”.

A campanha de Flávio pediu ao TSE que suspendesse o envio de mensagens direcionadas a idosos. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva negou o pedido, sob o argumento de que a interrupção poderia afetar comunicações de utilidade pública. A prova de vida é um procedimento usado pelo INSS para confirmar que o beneficiário está vivo e manter o pagamento regular do benefício; a mensagem relacionou essa atualização ao comparecimento às urnas.

O cientista político Marcos Quadros, diretor acadêmico da Estácio, afirmou que a tentativa de converter votos dentro das famílias pode provocar conflitos e desgastar relações pessoais. Ele disse que a política é apenas uma das dimensões da vida e que a mobilização eleitoral deve considerar limites éticos, sobretudo quando envolve jovens pressionando parentes. Quadros também afirmou que o convencimento faz parte da disputa eleitoral.

O documento “Como vencer o 2º turno” não integra a propaganda eleitoral registrada da coligação de Lula nem é material oficial do PT. Os responsáveis pelo conteúdo não foram identificados. Mota afirmou que a associação de símbolos do partido a uma cartilha sem autoria não configura, por si só, crime eleitoral; segundo ele, porém, a falta de identificação não protege práticas ilícitas caso elas sejam comprovadas.

Fontes: Gazeta do Povo, Valor Econômico, Estadão

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