Líderes mundiais reagem à vitória democrata nas eleições dos EUA
As reações às eleições de meio de mandato dos EUA vão da expectativa europeia de maior cooperação à avaliação de Rússia, China e Irã sobre a política americana.
Resumo em 30 segundos
Os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Líderes europeus manifestaram expectativa de maior cooperação e pressão sobre a Rússia, enquanto China e Rússia destacaram a continuidade das relações. Autoridades iranianas disseram que o resultado não mudará a política americana em relação ao país.
Líderes de vários países reagiram nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O partido recuperou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, em uma derrota para os republicanos e para o presidente Donald Trump, que permanece no cargo.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como *midterms*, escolhem representantes para o Congresso na metade do mandato presidencial. A mudança na maioria legislativa pode ampliar a capacidade dos democratas de fiscalizar o governo e influenciar decisões do Congresso, incluindo temas de política interna e externa.
Na Europa, a vitória foi recebida com expectativa de mudanças. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, chamou o resultado de “uma notícia muito boa para a democracia americana”. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse esperar que o novo Congresso pressione mais a Rússia em relação à Ucrânia e afirmou que Europa e Estados Unidos são “muito mais fortes juntos”.
O ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, celebrou a mudança e manifestou esperança de novas iniciativas para os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que os eleitores votaram contra políticas que, segundo ele, empobrecem a população, o ódio, o machismo, o negacionismo climático e os privilégios das elites.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum destacou a eleição de dois democratas de origem mexicana: Xavier Becerra, governador eleito da Califórnia, e Gina Hinojosa, governadora eleita do Texas. Ela disse que seu governo buscará uma relação com os Estados Unidos baseada no respeito à soberania e na colaboração.
Na Rússia, o Kremlin declarou esperar que Trump continue os esforços de mediação para encerrar a guerra na Ucrânia. A China classificou a eleição como assunto interno dos Estados Unidos, mas afirmou estar disposta a manter o diálogo e administrar divergências com Washington.
As autoridades iranianas relacionaram o resultado ao descontentamento com a guerra e o custo de vida. O principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, Mohamad Bagher Ghalibaf, escreveu que os americanos disseram “NÃO À GUERRA”. Já o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que quem espera uma mudança na política americana em relação ao país por causa da alternância partidária está “gravemente enganado”.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse que Trump aceitou o resultado e apontou o custo de vida como uma preocupação compartilhada. Ele afirmou, porém, que enfrentar o problema será impossível enquanto não forem resolvidos os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, desencadeados pela Rússia.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, declarou esperar uma “nova era nas relações internacionais” após a vitória democrata. As reações refletem expectativas distintas: enquanto governos europeus veem possibilidade de maior cooperação, Rússia e China enfatizaram a continuidade das relações, e Teerã descartou que a derrota republicana altere a postura dos Estados Unidos.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- Nos Estados Unidos, são eleições legislativas realizadas no meio do mandato presidencial. Os eleitores escolhem representantes para o Congresso, formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado; o resultado pode alterar o equilíbrio entre os partidos e a capacidade de fiscalização do governo.