Líderes cristãos condenam ataque de colonos em Taybeh
A agressão ocorreu durante uma colheita de azeitonas na Cisjordânia; um prefeito francês foi agredido, e Israel anunciou prisões relacionadas ao caso.
Resumo em 30 segundos
Líderes de igrejas de Jerusalém condenaram o ataque atribuído a colonos mascarados contra agricultores palestinos e uma delegação europeia em Taybeh, durante a colheita de azeitonas em 17 de outubro. Eles pediram proteção aos moradores e responsabilização dos envolvidos. Israel abriu investigação e anunciou prisões relacionadas à agressão.
Patriarcas e líderes de igrejas de Jerusalém condenaram um ataque atribuído a colonos mascarados contra agricultores palestinos e diplomatas europeus em Taybeh, cidade da Cisjordânia, durante uma colheita de azeitonas em 17 de outubro. A agressão ocorreu em uma atividade organizada com a paróquia local do Patriarcado Latino e levou os religiosos a pedir proteção para os moradores e responsabilização dos envolvidos.
A delegação europeia que visitava a área incluía representantes da França, Bélgica e Polônia. Bernard Baudoux, prefeito da cidade francesa de Aulnoye-Aymeries, foi agredido fisicamente, e um veículo consular belga sofreu danos.
Em comunicado, os líderes religiosos afirmaram que o episódio não foi isolado e que a violência de colonos contra aldeias palestinas aumentou durante a colheita. Nesse período, famílias retornam às terras para recolher azeitonas, que são fonte de renda, e manter a ligação com propriedades cultivadas por gerações.
Os religiosos também criticaram uma decisão religiosa recentemente publicada que permite a judeus tomar azeitonas de palestinos. Classificaram a medida como “infundada, muito preocupante e perigosa, e absolutamente inaceitável” e saudaram a rejeição pública manifestada por rabinos e outras vozes judaicas.
As autoridades israelenses abriram uma investigação e anunciaram posteriormente prisões relacionadas ao ataque. Os líderes religiosos reconheceram a condenação do presidente israelense Isaac Herzog e as medidas da polícia, mas disseram que a continuidade de agressões indica impunidade. Eles pediram que a aplicação da lei seja mantida de forma consistente, e não limitada a uma resposta pontual.
Taybeh é uma das comunidades cristãs palestinas de maior destaque na Cisjordânia. Para seus moradores, a violência representa uma ameaça à segurança, ao acesso às terras e aos meios de sustento. Os líderes de igrejas apelaram também à comunidade internacional para ampliar os esforços de proteção aos habitantes da cidade e da Cisjordânia, além de visitantes que demonstram solidariedade.
Em agosto, o Exército israelense declarou Taybeh zona militar fechada e restringiu o acesso de não residentes. A medida foi apresentada como uma tentativa de conter ataques de israelenses na região, mas, segundo o comunicado dos líderes religiosos, as agressões continuaram, incluindo a ocorrida durante a colheita de outubro.
O episódio aconteceu depois de outro ataque atribuído a colonos na aldeia palestina de Abu Falah, ao norte de Ramallah. Uma fotojornalista do Washington Post ficou gravemente ferida enquanto cobria a colheita de azeitonas com outros jornalistas.
Um dia antes da divulgação do comunicado dos líderes religiosos, uma delegação de alto nível dos Estados Unidos visitou Taybeh. O grupo incluía Brian Burch, embaixador dos EUA junto à Santa Sé, e Riley Barnes, secretário assistente de Estado para democracia, direitos humanos e trabalho, além de outros funcionários diplomáticos e de segurança.
Os representantes norte-americanos se reuniram com o padre Bashar Fawadleh, pároco da paróquia do Patriarcado Latino na cidade, e com o diretor executivo do Observatório da Presença Cristã — Terra Santa. Ouviram relatos sobre os ataques e seus efeitos na vida e no trabalho dos moradores. Participantes defenderam medidas para proteger civis, permitir o acesso às terras agrícolas e reforçar a responsabilização dos responsáveis.
Para entender
- Taybeh
- Cidade palestina da Cisjordânia e uma das comunidades cristãs palestinas mais conhecidas da região. Seus moradores vivem e trabalham em áreas agrícolas, onde a colheita de azeitonas tem importância para a subsistência e para a ligação das famílias com suas terras.