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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Brad Lander é detido por militares israelenses durante colheita

Liberado após cerca de três horas, o candidato afirmou que colhia azeitonas com agricultores palestinos; dezenas de outros voluntários seguiam detidos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Voluntários e agricultores colhem azeitonas em um olival na Cisjordânia, com um veículo militar ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Voluntários e agricultores colhem azeitonas em um olival na Cisjordânia, com um veículo militar ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O candidato democrata à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos Brad Lander foi detido por militares israelenses durante uma colheita de azeitonas na Cisjordânia e liberado cerca de três horas depois. Dezenas de voluntários permaneceram sob custódia. O Exército alegou risco à segurança e disse que a atividade precisava ser previamente autorizada.

O candidato democrata à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos Brad Lander foi detido nesta quarta-feira por militares israelenses enquanto participava da colheita de azeitonas com agricultores palestinos, perto de Nehalim, na Cisjordânia. Ele foi liberado após cerca de três horas, mas dezenas de outros voluntários israelenses e estrangeiros continuavam sob custódia, segundo a organização responsável pela missão.

Lander, que concorre a uma vaga pela cidade de Nova York e é conhecido por defender os direitos dos palestinos, publicou nas redes sociais que foi levado junto com rabinos e voluntários. Ele afirmou que o grupo estava apenas colhendo azeitonas e contestou a justificativa para a detenção. Depois de ser solto, disse ter recebido uma advertência de que suas ações eram ilegais e causavam perturbação da ordem pública.

O Exército israelense informou que deteve “dezenas” de pessoas perto do assentamento de Beitar Illit. Em comunicado, justificou a ação pelo risco à segurança que, segundo os militares, representava uma colheita não coordenada nas proximidades de uma comunidade israelense.

As forças israelenses disseram ainda que a atividade naquela área exigia um pedido prévio às autoridades competentes. Segundo o comunicado, o proprietário do olival recebeu informações para agendar a colheita em outra data. O Exército afirmou que busca permitir uma temporada segura e ordenada, ao mesmo tempo que cumpre suas tarefas de defesa e combate ao terrorismo.

A delegação reunia cerca de 60 pessoas, das quais 40 eram estrangeiras, em sua maioria americanas, segundo Lander. O grupo Protect the Harvest, que organiza missões de solidariedade com agricultores palestinos, informou que os voluntários estrangeiros estavam na base militar de Etzion, enquanto os israelenses foram levados à delegacia de Beitar Illit.

A colheita de azeitonas, iniciada no mês passado, é uma atividade cultural importante para os palestinos e representa uma fonte relevante de renda para comunidades da Cisjordânia. Lander disse que o agricultor dono do terreno não conseguia colher desde outubro de 2023, por temer ataques de colonos israelenses. O político afirmou que o grupo havia participado da colheita em outras áreas na segunda e na terça-feira, sem incidentes.

A rabina Jill Jacobs, também detida, afirmou que as interrupções da colheita por colonos e forças de segurança fazem parte de uma campanha de expulsão de palestinos de suas terras. Ela disse que rabinos têm a obrigação moral de se opor a essas ações. Já Nerdeen Kiswani, cofundadora do grupo pró-palestino Within Our Lifetime, classificou a viagem dos voluntários como “solidariedade performática”.

A missão integra uma tradição de visitas de israelenses e estrangeiros à Cisjordânia para apoiar comunidades palestinas. Ao mesmo tempo, a presença de grupos que defendem a coexistência é criticada por militantes pró-palestinos da Universidade Columbia, que dizem que essas iniciativas podem normalizar a ocupação e o apartheid. As declarações refletem posições distintas sobre o papel das missões de solidariedade.

A Cisjordânia registra aumento da violência de colonos nos últimos meses. Desde o fim de setembro, mais de 80 episódios envolvendo colonos e soldados israelenses foram registrados, segundo a organização israelense de direitos humanos Yesh Din. Na semana passada, colonos feriram gravemente a jornalista Heidi Levine, que cobria a colheita, e agrediram autoridades e diplomatas europeus que acompanhavam a atividade.

Fontes: O Globo

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