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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Israel acelera planos para construir moradias no assentamento E1

As licitações somam 3.300 unidades perto de Jerusalém, e o início das propostas para uma delas está marcado para dois dias antes da eleição de 27 de outubro.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Terreno rochoso nos arredores de Jerusalém, com construções ao longe e marcadores de levantamento no solo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Terreno rochoso nos arredores de Jerusalém, com construções ao longe e marcadores de levantamento no solo.
Resumo em 30 segundos

O governo de Binyamin Netanyahu avançou com licitações para 3.300 moradias no assentamento E1, perto de Jerusalém, antes da eleição israelense de 27 de outubro. Críticos afirmam que o projeto pode dividir a Cisjordânia ocupada e dificultar a criação de um Estado palestino. A expansão ocorre em meio a novos assentamentos e ao aumento de ataques de colonos contra palestinos.

O governo de Binyamin Netanyahu acelerou os planos de construção de moradias no assentamento E1, nos arredores de Jerusalém, às vésperas da eleição israelense marcada para 27 de outubro. As licitações preveem 3.300 unidades habitacionais em uma área que, se desenvolvida, dividiria a Cisjordânia ocupada e a separaria de Jerusalém Oriental, segundo críticos do projeto.

O Ministério da Habitação abriu em agosto a concorrência para 1.200 unidades e, há duas semanas, lançou outra para 2.100. O início da apresentação de propostas para esta última foi marcado para dois dias antes da votação. Uma das licitações foi adiada em meio à preocupação de que o calendário estivesse sendo usado para fins eleitorais.

O E1 é considerado estratégico porque sua localização pode interromper a continuidade territorial entre áreas palestinas na Cisjordânia. A continuidade é importante para a viabilidade de um futuro Estado palestino, objetivo que os críticos dizem ficar mais distante com a expansão dos assentamentos. Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, e os assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional.

A Peace Now, organização israelense de direitos humanos, avalia que o governo busca deixar decisões difíceis de reverter para quem assumir depois da eleição. “Está claro que o governo está tentando criar fatos consumados que serão muito difíceis de reverter pelo próximo governo”, disse Yonatan Mizrachi, integrante da entidade.

O projeto do E1 faz parte de uma série de medidas para ampliar a presença israelense na Cisjordânia. O Ministério das Finanças, chefiado por Bezalel Smotrich, pediu recentemente 36 milhões de shekels — equivalentes a R$ 58,8 milhões — para registrar terras na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A Peace Now afirma que o processo pode facilitar a tomada de terras pelo Estado israelense e considera ilegal o registro em territórios ocupados.

No norte da Cisjordânia, colonos voltaram em agosto a Kadim, um dos quatro assentamentos desmantelados em 2005. O governo também anunciou planos para criar 19 assentamentos na região, onde ainda há relativa continuidade entre áreas palestinas. Yehuda Shaul, codiretor do centro israelense de assuntos públicos Ofek, afirmou que as novas construções podem fragmentar o norte da Cisjordânia e cercar Jenin, cidade palestina.

Smotrich disse que o E1 “sepultará” a possibilidade de um Estado palestino. Em setembro, na inauguração de um novo assentamento, afirmou que a coalizão preparava o terreno para 1 milhão de colonos, ante os 750 mil que vivem atualmente na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Em fevereiro, ele defendeu que o próximo governo incentivasse a migração de palestinos.

A expansão ocorre junto a um aumento da violência de colonos contra palestinos. Dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) apontam 6.100 ataques contra pessoas e propriedades palestinas desde que o partido de Netanyahu chegou ao poder, em 2022. Mais de 6.500 palestinos e 132 comunidades foram deslocados total ou parcialmente. O órgão registra que o número de ataques em 2026 caminha para superar os anos anteriores desde o início de sua série de dados.

As restrições militares e econômicas também afetam a rotina palestina. Postos de controle podem transformar deslocamentos curtos em viagens de várias horas, enquanto novos postos de assentamentos isolam moradores de suas terras. Israel reteve receitas tributárias palestinas, deixando a Autoridade Palestina perto da falência; funcionários públicos recebem apenas uma parte dos salários, e muitas escolas funcionam três dias por semana.

Loui Ridi, palestino-americano que vive em Qusra, relatou que colonos cercaram sua casa e cortaram água e eletricidade. Depois que os militares israelenses os afastaram algumas centenas de metros, instalaram um posto de controle diante da propriedade e limitaram por 30 dias a entrada e a saída da família, alegando protegê-la. As restrições foram flexibilizadas, mas Ridi disse que os colonos continuam nas proximidades.

A responsabilização por ataques é baixa, segundo a organização israelense Yesh Din. Um estudo da entidade concluiu que apenas 3% das investigações sobre crimes de israelenses contra palestinos na Cisjordânia, entre 2005 e 2024, resultaram em condenações. No início desta semana, os militares israelenses disseram que mais de 100 colonos participaram de um ataque a Jalud, com incêndios em prédios e carros.

A eleição pode alterar o rumo das políticas, mas as pesquisas apontam uma disputa acirrada e sem previsão segura de resultado. O principal bloco com possibilidade de tirar Netanyahu do poder é formado por partidos de oposição liderados pelo ex-general Gadi Eisenkot. As siglas têm posições diferentes sobre a Cisjordânia, que vão do apoio ao desmantelamento de postos avançados ilegais à defesa da anexação. Diplomatas esperam que uma eventual coalizão de oposição combata com mais firmeza a violência de colonos e possa liberar parte das receitas palestinas retidas, mas não há expectativa ampla de que projetos já iniciados sejam revertidos.

Para entender

Assentamento E1
Área entre Jerusalém Oriental e o assentamento de Ma’ale Adumim, na Cisjordânia ocupada. A construção ali é considerada estratégica porque pode interromper a continuidade territorial entre áreas palestinas e separá-las de Jerusalém Oriental.
OCHA
Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. A agência reúne e divulga informações sobre necessidades humanitárias, deslocamentos e violência em crises e territórios afetados por conflitos.

Fontes: Folha de S.Paulo

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