Polícia israelense prende dez suspeitos por ataques de colonos
As agressões na Cisjordânia ocupada ocorreram durante a colheita de azeitonas e tiveram como alvos uma jornalista americana, um prefeito francês e diplomatas europeus.
Resumo em 30 segundos
Dez pessoas foram presas em Israel sob suspeita de envolvimento em ataques de colonos na Cisjordânia ocupada. Entre os alvos estavam a fotojornalista Heidi Levine, um prefeito francês e diplomatas europeus. As agressões ocorreram durante a colheita de azeitonas palestina, período em que organizações registram episódios de violência.
A polícia israelense prendeu nesta segunda-feira (19) dez pessoas suspeitas de participação em ataques de colonos na Cisjordânia ocupada, entre eles as agressões a uma fotojornalista americana, um prefeito francês e diplomatas europeus. Os episódios ocorreram durante o fim de semana, em meio à colheita de azeitonas palestina.
Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados e foram levados para interrogatório. Segundo a polícia, são investigados por envolvimento em atos violentos, violação de uma ordem que estabelece uma zona militar fechada e construção ilegal. A operação reuniu policiais, militares e o Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel; também foram apreendidos veículos e possíveis provas, segundo a polícia.
Na sexta-feira (16), Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post, registrava a colheita no vilarejo palestino de Abu Falah quando foi agredida por colonos mascarados. Ela foi hospitalizada e passou por cirurgia em uma mão. De acordo com informações sobre o episódio, Levine sofreu fraturas em quatro vértebras, quebrou uma costela e teve cortes pelo corpo. A agressão foi filmada.
No sábado (17), colonos atacaram uma delegação que visitava Taybeh, outro vilarejo da Cisjordânia. O prefeito francês Bernard Baudoux, de 78 anos, foi agredido, e um veículo diplomático belga foi danificado. Diplomatas da França, da Bélgica e da Polônia estavam entre os integrantes do grupo; a Igreja Católica também foi citada como parte da delegação.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou as prisões como “um acontecimento muito positivo” para identificar e punir os responsáveis pelo ataque a Levine. O presidente israelense, Isaac Herzog, pediu desculpas à jornalista e afirmou que os agressores não representam os valores do país.
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu disse que a delegação diplomática entrou em uma área sensível, com histórico de confrontos, sem coordenar a visita com as Forças Armadas. Sobre a agressão a Levine, afirmou que os fatos ainda não estavam claros. O Ministério das Relações Exteriores de Israel e as Forças Armadas atribuíram o ataque aos diplomatas a “manifestantes israelenses violentos”.
A União Europeia condenou os ataques e pediu que os responsáveis sejam responsabilizados. O bloco também cobrou medidas para prevenir novos episódios contra palestinos e jornalistas, sobretudo durante a colheita de azeitonas, e pediu respeito ao direito humanitário e aos direitos humanos internacionais.
A organização israelense de direitos humanos Yesh Din registrou ao menos 170 ataques de colonos contra palestinos desde 27 de setembro. A colheita é uma atividade importante para o sustento de famílias palestinas e costuma ser interrompida por episódios de violência. Em outra contagem, a organização identificou 269 incidentes relacionados à colheita nos 20 dias anteriores ao domingo, incluindo agressões, roubos de azeitonas e danos a oliveiras.
As detenções ocorrem às vésperas das eleições israelenses, marcadas para 27 de outubro. A Cisjordânia é ocupada por Israel desde 1967, e os palestinos reivindicam o território para a criação de um futuro Estado. A Yesh Din afirma que, entre 2005 e 2025, mais de 93% das investigações policiais israelenses sobre crimes de motivação ideológica cometidos por israelenses contra palestinos na região foram encerradas sem denúncia formal à Justiça.
Para entender
- Cisjordânia
- Território situado a oeste do rio Jordão, entre Israel e a Jordânia. Israel ocupa a região desde 1967. Os palestinos reivindicam a Cisjordânia para a criação de um futuro Estado.