Pular para o conteúdo
Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Lideranças evangélicas se afastam de Flávio após derrota eleitoral

Pastores e bispos defendem respeito ao resultado e evitam apoiar a contestação do senador, embora alguns ainda manifestem solidariedade a ele.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pastor fala durante culto evangélico enquanto fiéis acompanham a celebração. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pastor fala durante culto evangélico enquanto fiéis acompanham a celebração.
Resumo em 30 segundos

Após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial e a divulgação de uma carta contestando o resultado, lideranças de grandes igrejas evangélicas têm defendido o respeito à decisão das urnas. Algumas mantêm apoio ao senador, mas outras pregam neutralidade e apontam perdas eleitorais de políticos ligados às igrejas.

Lideranças de grandes igrejas evangélicas passaram a se distanciar do senador Flávio Bolsonaro (PL) após sua derrota na eleição presidencial, a contestação do resultado e a publicação de uma carta com teor golpista. A mudança ocorre depois de parte do segmento ter apoiado sua candidatura no segundo turno e em meio a perdas eleitorais de políticos ligados a igrejas.

Na segunda-feira, Flávio voltou a buscar apoio entre evangélicos ao participar de um culto do Ministério Celeiro, na Flórida. Foi sua primeira aparição pública após deixar o Brasil. Ele estava acompanhado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e das respectivas esposas. Durante a celebração, o pastor José Maurício dirigiu palavras de apoio ao senador, sem mencionar explicitamente a eleição: “Com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando”.

No Brasil, lideranças religiosas têm adotado manifestações de respeito ao resultado e evitado se associar à contestação de Flávio. No dia seguinte à eleição, o bispo Alessandro Paschoall, que trata de assuntos políticos na Igreja Universal, compartilhou um trecho de um culto em que Edir Macedo, líder da denominação, rejeitou o lema “Deus, pátria e família”.

“Na Universal, nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus, depois família, e depois o resto. Não concordo com essa teoria ‘Deus, pátria e família’. Porque se não houver família, vai haver pátria? Impossível. Só há pátria se vier da família, que vem de Deus”, afirmou Macedo. A declaração foi feita na manhã da votação do segundo turno, após uma campanha em que políticos ligados à igreja apoiaram Flávio, enquanto pastores próximos ao bispo mantiveram uma posição mais cautelosa.

Paschoall afirmou em vídeos que seu campo político “não é de direita ou de esquerda, e sim do reino de Deus”. Ele também lamentou o resultado de candidatos associados à Universal. Metade dos 12 deputados federais ligados à igreja não conseguiu se reeleger, segundo o relato sobre o desempenho eleitoral do grupo.

A postura atual difere da adotada pela Universal em 2018 e 2022, quando Macedo apoiou Jair Bolsonaro e líderes da igreja defenderam que cristãos não votassem na esquerda. Pessoas próximas à denominação avaliam que a aliança com a direita favoreceu mais o bolsonarismo do que a própria igreja, que perdeu espaço político.

O bispo Inaldo Silva, vereador do Republicanos no Rio, disse que a declaração de Macedo não deve ser interpretada como represália a Flávio. Para ele, a neutralidade busca evitar divisões entre fiéis com posições políticas distintas. “Não podemos subestimar alguém que teve mais de 60 milhões de votos. A neutralidade veio porque a gente acaba escolhendo um lado e perdendo muito, na nossa comunidade há pessoas da direita e da esquerda”, afirmou.

Na Assembleia de Deus de Madureira, que apoiou Flávio no segundo turno, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no dia seguinte à eleição. Em outubro, seu irmão, o bispo Samuel Ferreira, havia recomendado voto no senador durante um culto no Rio. Na segunda-feira, Abner publicou uma mensagem afirmando que a democracia “exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, independentemente das convicções e preferências individuais”.

O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, em Brasília, onde Flávio foi batizado em 2024, também defendeu o encerramento da disputa. Na quarta-feira, disse que “as eleições terminaram” e que “não há terceiro turno”, além de orientar seus seguidores a “parar de profetizar o caos”. Naquele dia, Flávio divulgou uma carta após deixar o Brasil, na qual se declarou “verdadeiro presidente eleito” e, numa segunda versão, “líder” do país.

O apóstolo César Augusto, da Igreja Fonte da Vida e aliado de Flávio, disse que não se arrependeu do voto, mas criticou a reação do senador. “Numa derrota, você fica extremamente decepcionado. Nesse momento, o conselheiro tem que ter a sensatez de ajudar, equilibrar. Acho que ele foi muito mal orientado”, afirmou. Ele acrescentou que, como a Justiça considerou legal a eleição, era hora de “olhar o futuro do país”.

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, criticou reservadamente os filhos de Bolsonaro após a carta, mas, em público, defendeu a saída de Flávio do país, a quem considera um “perseguido político”. O deputado Eli Borges (Republicanos-TO), pastor da Assembleia de Deus e ex-presidente da bancada evangélica na Câmara, também disse concordar com a saída do senador, embora tenha afirmado não ter lido a carta. Já José Wellington Jr., líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus, não se manifestou sobre a mensagem.

Fontes: O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também