Kremlin mantém ataques russos apesar de negociações previstas para novembro
Dmitri Peskov diz que conversas com Ucrânia e Estados Unidos não limitam as operações, mas admite tréguas locais por razões humanitárias.
Resumo em 30 segundos
A Rússia afirma que continuará os ataques contra alvos ligados à indústria militar ucraniana mesmo com negociações trilaterais previstas para novembro. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que Moscou aceita discutir cessar-fogos locais por motivos humanitários. Uma pausa deve começar em Oleshki, cidade ucraniana ocupada por forças russas.
O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (26) que as negociações previstas entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos não interromperão as operações militares. As partes devem se reunir em novembro, com mediação americana, para buscar uma saída para a guerra, mas Moscou disse que continuará os ataques em grande escala contra alvos ligados à indústria militar ucraniana.
O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, declarou que a retomada das conversas trilaterais não impõe limites às ações de combate. Ele afirmou, porém, que a Rússia aceita discutir tréguas locais por razões humanitárias.
Uma dessas pausas deve começar na terça-feira em Oleshki, cidade no sul da Ucrânia ocupada por forças russas. A trégua foi anunciada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. Moradores relatam falta de alimentos, água e medicamentos na localidade.
Peskov disse que Moscou está aberta a outros cessar-fogos localizados quando houver justificativa humanitária. Esse tipo de acordo pode suspender temporariamente os combates em uma área específica, sem representar o fim da guerra nem uma interrupção geral das operações militares.
A declaração ocorre enquanto os ataques russos com drones e mísseis se intensificaram nas últimas semanas, inclusive contra instalações de energia perto de grandes cidades ucranianas. Kiev afirma que a campanha busca deixar a população sem aquecimento e eletricidade durante o inverno no hemisfério norte.
Ataques realizados no inverno passado deixaram milhões de pessoas sem energia elétrica e aquecimento, em meio a temperaturas de até 20 graus Celsius negativos. A infraestrutura energética é essencial para manter serviços e aquecer residências, e seus danos podem afetar a vida cotidiana de civis durante os meses frios.
As negociações entre os dois países estão paralisadas desde o começo do ano, e rodadas anteriores não produziram avanços para um acordo. A Rússia exige novos territórios no leste ucraniano, além de amplas restrições militares e políticas para Kiev.
A Ucrânia e seus aliados europeus consideram essas exigências equivalentes a uma capitulação e dizem que elas deixariam o país vulnerável a um novo ataque russo. A reunião prevista para novembro deverá ocorrer em meio a essa divergência, sem que a retomada do diálogo tenha, até agora, alterado a posição pública de Moscou sobre a continuidade dos combates.