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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Ucrânia acusa EUA de limitar Starlink e falhar em alertas de mísseis

Zelensky pediu a Musk e à SpaceX que restabeleçam o serviço, enquanto ataques russos deixaram ao menos seis mortos e 600 mil pessoas sem energia.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Equipamento de conexão por satélite ao lado de aparelhos usados por militares para operar drones. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Equipamento de conexão por satélite ao lado de aparelhos usados por militares para operar drones.
Resumo em 30 segundos

A Ucrânia acusou os Estados Unidos de não compartilhar alertas sobre mísseis russos e de prejudicar sua defesa com restrições a terminais Starlink usados por drones militares. Zelensky pediu que o serviço seja restabelecido. A denúncia ocorreu após bombardeios russos que deixaram ao menos seis mortos, 25 feridos e cerca de 600 mil pessoas sem eletricidade.

A Ucrânia acusou os Estados Unidos, nesta quarta-feira, de prejudicar sua defesa diante dos ataques russos, ao não compartilhar alertas antecipados sobre mísseis e ao restringir o funcionamento de terminais Starlink usados pelas forças militares. A denúncia veio após bombardeios russos contra Kiev e outras regiões deixarem ao menos seis mortos, 25 feridos e cerca de 600 mil pessoas sem eletricidade, segundo autoridades ucranianas.

O presidente Volodymyr Zelensky pediu que o serviço da Starlink seja restabelecido e disse contar com a colaboração de Washington. Em Londres, antes de uma reunião com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ele afirmou que a ausência de avisos sobre os lançamentos de mísseis foi “completamente injusta”. Zelensky disse esperar que a interrupção decorra de um problema técnico e alertou que a falta do serviço pode ter consequências fatais.

Autoridades militares ucranianas afirmaram que a SpaceX, empresa de Elon Musk que opera a Starlink, impôs sem aviso prévio limitações a terminais militares, afetando a conexão de drones. O assessor presidencial Sergiy Beskrestnov disse que alguns equipamentos passaram a ter um limite de velocidade de 160 quilômetros por hora e que a mudança interrompeu missões. Ele afirmou que a rede é uma das principais ferramentas para enfrentar drones russos de propulsão a jato, que podem atingir até 600 quilômetros por hora.

A Starlink é uma rede de internet via satélite. As forças ucranianas instalaram receptores em drones usados tanto em missões de ataque quanto na interceptação de aparelhos russos. Segundo fontes da Defesa ucraniana, a restrição afetou os serviços Starshield, voltados ao uso militar, e prejudicou a conectividade desses equipamentos. A SpaceX e Musk não haviam se manifestado sobre a acusação.

Em uma mensagem no Telegram, Beskrestnov escreveu que os parceiros da Ucrânia estavam privando o país de uma das poucas oportunidades de defesa contra drones. Um alto funcionário ucraniano também atribuiu aos Estados Unidos a falta de alertas e as alterações na rede, dizendo que Washington estaria ajudando a Rússia. O presidente Donald Trump negou ter ameaçado interromper o compartilhamento de informações de inteligência.

A Ucrânia depende de dados de satélite para acompanhar lançamentos russos, alertar a população e tentar interceptar mísseis. Zelensky afirmou ter informado ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que o país não recebeu aviso de parceiros ocidentais antes de lançamentos balísticos pela segunda vez na semana. Os ataques atingiram Kiev antes que as sirenes de alerta fossem acionadas, segundo autoridades ucranianas.

A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou 39 mísseis e 128 drones durante a madrugada. Quatro mísseis e 115 drones foram abatidos. O Ministério da Defesa russo confirmou uma ofensiva de grande escala e afirmou ter atingido seis usinas termelétricas e uma subestação que abastecem Kiev, áreas próximas e a região de Kharkiv; Moscou disse que os alvos eram instalações de energia e comunicação utilizadas pelas forças ucranianas.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, relatou um ataque com mísseis balísticos contra a capital. Um edifício residencial foi atingido, e moradores enfrentaram interrupções de água e energia. O primeiro-ministro ucraniano, Serhii Koretskyi, afirmou que três usinas municipais e instalações ferroviárias estatais em cinco regiões foram atacadas. A ofensiva ocorreu na segunda noite consecutiva de bombardeios russos com mísseis contra Kiev.

Zelensky acusou Moscou de desrespeitar o “cessar-fogo energético” anunciado por Trump, que pediu a suspensão de ataques contra instalações de energia. O presidente ucraniano afirmou que Kiev está disposta a interromper ataques a refinarias e outras estruturas energéticas russas, desde que Moscou faça o mesmo. A Rússia, por sua vez, declarou que a Ucrânia não merece uma trégua e argumentou que a pausa poderia permitir que a Europa enviasse mais armas ao país.

Trump tem pressionado Kiev a suspender ataques de longo alcance contra refinarias russas e, no fim de semana, sugeriu que Zelensky deveria ser substituído na Presidência. O presidente americano relacionou os ataques ucranianos à redução da oferta de combustíveis e à alta dos preços nos postos. Também anunciou um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia, apesar das sanções impostas a Moscou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a Rússia acompanha possíveis mudanças no apoio americano à Ucrânia, mas afirmou que ainda é cedo para tirar conclusões. A Ucrânia busca esclarecimentos sobre as limitações da Starlink e, segundo fontes militares, está em contato com a empresa e com o governo dos Estados Unidos. A Polônia, que paga assinaturas do serviço usadas pela Ucrânia, também criticou publicamente Musk pela possibilidade de restrições.

Para entender

Starlink
Rede de internet por satélite operada pela SpaceX, empresa fundada por Elon Musk. Seus terminais permitem conexão em locais sem infraestrutura convencional e são usados por forças ucranianas para comunicações e para conectar equipamentos, inclusive drones.
Starshield
Serviços e equipamentos da SpaceX voltados a aplicações governamentais e de segurança nacional. A Ucrânia afirma que restrições relacionadas a esses terminais afetaram a conectividade de drones militares.

Fontes: O Globo, Zero Hora, Valor Econômico

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