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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Petróleo segue acima de US$ 100 apesar de mais embarques

Preço do petróleo na guerra entre Irã e EUA é sustentado por riscos nas rotas marítimas, estoques menores e oferta limitada de diesel.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Petroleiro atravessa uma passagem marítima estratégica ao entardecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Petroleiro atravessa uma passagem marítima estratégica ao entardecer.
Resumo em 30 segundos

O petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, cerca de 40% acima do início da guerra entre Estados Unidos e Irã. A liberação anunciada de reservas emergenciais não reduziu as cotações. Riscos de ataques, transporte mais caro, estoques baixos e limitações na produção de combustíveis mantêm a pressão sobre o mercado.

O petróleo continua acima de US$ 100 por barril, cerca de 40% acima do nível registrado no início da guerra entre Estados Unidos e Irã, apesar da recuperação dos embarques do Oriente Médio e do anúncio de liberação de estoques emergenciais. A persistência dos preços reflete riscos de novos ataques, estoques globais reduzidos, dificuldades de transporte e restrições na produção de combustíveis como o diesel.

Na sexta-feira (2), o Grupo dos Sete (G7) e parceiros anunciaram que poderiam liberar até 100 milhões de barris de petróleo e diesel de reservas de emergência. A medida não reduziu as cotações, em parte porque os operadores continuam sem saber se o conflito voltará a se intensificar. Os Estados Unidos enviam outro porta-aviões e mais tropas ao Golfo Pérsico, enquanto Irã e EUA seguem distantes sobre as condições para encerrar a guerra.

O estreito de Hormuz, passagem entre o Golfo Pérsico e o mar de Omã, é um dos pontos de maior preocupação. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo mundial transitava pela rota. Irã e Estados Unidos tentam controlar o tráfego, e ataques a embarcações e desvios do caminho habitual dificultam o transporte, mesmo com alguns navios ainda cruzando o estreito.

Outra rota está sob ameaça no mar Vermelho. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram um bloqueio à navegação saudita na passagem de Bab el-Mandeb. No mês passado, um ataque com drones interrompeu o oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, infraestrutura importante para levar petróleo a rotas alternativas.

A necessidade de contornar áreas de risco encarece o transporte. Petroleiros que levam petróleo do Golfo Pérsico à China chegaram a cobrar mais de US$ 1,2 milhão por dia. Embarques por trajetos alternativos e transferências de carga entre navios também fazem parte de uma operação mais complexa do que a circulação normal.

“Uma recuperação do volume de oferta não equivale à normalização completa do sistema de abastecimento”, afirmou Xuyi Zhao, analista sênior de petróleo da Guotai Junan Futures. Segundo ele, o mercado considera não só a quantidade embarcada, mas também se o petróleo pode chegar ao destino com segurança, regularidade e custo menor.

Os estoques mundiais caíram para cerca de 4,3 bilhões de barris, mais de 400 milhões abaixo do nível de março, primeiro mês completo da guerra, segundo dados da consultoria Energy Aspects. Ao mesmo tempo, a demanda se recuperou após a queda inicial provocada pelos preços altos: está em cerca de 104,8 milhões de barris por dia, 6,5 milhões acima do menor patamar do conflito, registrado em maio.

A oferta de petróleo bruto também não se traduz imediatamente em mais combustíveis prontos para consumo. As exportações de produtos refinados do Oriente Médio e da Rússia continuam limitadas. Refinarias de outras regiões tentam compensar a falta de diesel e de outros derivados, operam intensamente e disputam o petróleo bruto necessário para manter a produção.

Essa pressão aumenta o risco de interrupções caso equipamentos sobrecarregados falhem. “Perdemos oferta, reduzimos os estoques e prejudicamos a capacidade de transformar petróleo bruto em produtos como diesel. Fazer o petróleo voltar a circular não resolve nada disso de imediato”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, de Chicago.

A alta dos combustíveis também pode afetar a inflação e os juros. Presidentes de bancos centrais têm alertado que o petróleo caro pressiona os preços da economia e pode levar a taxas de juros mais altas. Além da demanda física, investidores têm recorrido ao petróleo como proteção contra a inflação, o que também pode sustentar as cotações.

Para entender

Estreito de Hormuz
Passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o mar de Omã. É uma rota estratégica para o transporte global de petróleo, e a possibilidade de interrupções no tráfego pode afetar a oferta e os custos de entrega.
Bab el-Mandeb
Estreito que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico. Sua localização faz dele uma passagem importante para o comércio marítimo entre a Europa e a Ásia.

Fontes: Folha de S.Paulo

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