Kassio Nunes Marques vai a festa custeada por Daniel Vorcaro
Mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master indicam que ele organizou a recepção em um triplex em São Paulo enquanto tratava da crise de liquidez do banco.
Resumo em 30 segundos
Kassio Nunes Marques participou, em fevereiro de 2025, de uma festa organizada e paga por Daniel Vorcaro em um triplex em São Paulo, segundo reportagem da revista Piauí. Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro detalham a recepção e mostram que, no mesmo dia, ele conversava sobre a situação financeira do Banco Master. O ministro negou ter trocado mensagens com Vorcaro ou pedido algo a ele.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques participou, em 28 de fevereiro de 2025, de uma festa organizada e custeada pelo então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em um triplex no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pela revista Piauí. Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que ele coordenou a recepção do ministro enquanto também tratava de problemas de liquidez do banco.
De acordo com a reportagem, Nunes Marques chegou pouco antes das 15h e saiu por volta das 23h. O mordomo contratado para o apartamento relatou em mensagem que pessoas estavam nuas na piscina e que uma mulher havia passado mal. Outra mensagem indicava que um quarto foi usado pelo ministro e por cinco mulheres. As conversas não esclarecem se Vorcaro estava presente na festa.
Vorcaro mobilizou funcionários e outros contatos para organizar o encontro, incluindo motoristas, um chef, um mordomo, uma faxineira, um arquiteto e uma agenciadora de garotas de programa. As despesas chegaram a cerca de R$ 27 mil. Uma das mensagens do mordomo descreve a situação na piscina: “Pessoal tudo pelado na piscina. Uma passou mal vomitou mais tá bem já”.
No mesmo dia, Vorcaro conversava com executivos do Master e com Paulo Sergio Souza, ex-diretor do Banco Central (BC), sobre a situação financeira da instituição. As mensagens mencionam que o depósito compulsório teria subido de R$ 800 milhões para R$ 1,25 bilhão. O compulsório é o valor que bancos são obrigados a manter depositado no BC; o mecanismo ajuda a regular a liquidez do sistema financeiro.
Em conversa com um executivo, Vorcaro escreveu: “Demite Alberto. Vamos voltar eu e você e tentar salvar. O cara deixou o banco com -1.250.” Ele também afirmou a Souza que havia fechado a venda de uma carteira de ativos e que, depois do carnaval, a situação estaria regularizada.
Em nota, Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro, não pediu nada a ele e nunca votou a favor do ex-banqueiro, citando seu voto pela manutenção da prisão. Disse ainda que não autorizou ninguém a falar em seu nome e que não pode responder por conversas ou atos de terceiros. O ministro também afirmou que seu filho nunca recebeu nada do Banco Master.
A crise de liquidez ocorre quando uma instituição enfrenta dificuldade para honrar pagamentos e obrigações no prazo. O aumento do compulsório citado nas mensagens indica a pressão financeira que Vorcaro dizia enfrentar naquele momento, mas a reportagem também relata que ele acreditava ter encontrado uma solução por meio da venda de uma carteira.
Para entender
- Depósito compulsório
- É a parcela dos recursos que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central. O mecanismo ajuda a regular a quantidade de dinheiro disponível no sistema financeiro e a liquidez das instituições.
- Crise de liquidez
- Ocorre quando uma instituição tem dificuldade para cumprir pagamentos e outras obrigações no prazo, mesmo que possua ativos. No setor bancário, dificuldades desse tipo podem afetar a capacidade de atender saques e honrar compromissos.