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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Kassio Nunes Marques vai a festa custeada por Daniel Vorcaro

Mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master indicam que ele organizou a recepção em um triplex em São Paulo enquanto tratava da crise de liquidez do banco.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Terraço de um triplex de luxo em São Paulo, com piscina e vista para a cidade. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Terraço de um triplex de luxo em São Paulo, com piscina e vista para a cidade.
Resumo em 30 segundos

Kassio Nunes Marques participou, em fevereiro de 2025, de uma festa organizada e paga por Daniel Vorcaro em um triplex em São Paulo, segundo reportagem da revista Piauí. Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro detalham a recepção e mostram que, no mesmo dia, ele conversava sobre a situação financeira do Banco Master. O ministro negou ter trocado mensagens com Vorcaro ou pedido algo a ele.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques participou, em 28 de fevereiro de 2025, de uma festa organizada e custeada pelo então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em um triplex no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pela revista Piauí. Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que ele coordenou a recepção do ministro enquanto também tratava de problemas de liquidez do banco.

De acordo com a reportagem, Nunes Marques chegou pouco antes das 15h e saiu por volta das 23h. O mordomo contratado para o apartamento relatou em mensagem que pessoas estavam nuas na piscina e que uma mulher havia passado mal. Outra mensagem indicava que um quarto foi usado pelo ministro e por cinco mulheres. As conversas não esclarecem se Vorcaro estava presente na festa.

Vorcaro mobilizou funcionários e outros contatos para organizar o encontro, incluindo motoristas, um chef, um mordomo, uma faxineira, um arquiteto e uma agenciadora de garotas de programa. As despesas chegaram a cerca de R$ 27 mil. Uma das mensagens do mordomo descreve a situação na piscina: “Pessoal tudo pelado na piscina. Uma passou mal vomitou mais tá bem já”.

No mesmo dia, Vorcaro conversava com executivos do Master e com Paulo Sergio Souza, ex-diretor do Banco Central (BC), sobre a situação financeira da instituição. As mensagens mencionam que o depósito compulsório teria subido de R$ 800 milhões para R$ 1,25 bilhão. O compulsório é o valor que bancos são obrigados a manter depositado no BC; o mecanismo ajuda a regular a liquidez do sistema financeiro.

Em conversa com um executivo, Vorcaro escreveu: “Demite Alberto. Vamos voltar eu e você e tentar salvar. O cara deixou o banco com -1.250.” Ele também afirmou a Souza que havia fechado a venda de uma carteira de ativos e que, depois do carnaval, a situação estaria regularizada.

Em nota, Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro, não pediu nada a ele e nunca votou a favor do ex-banqueiro, citando seu voto pela manutenção da prisão. Disse ainda que não autorizou ninguém a falar em seu nome e que não pode responder por conversas ou atos de terceiros. O ministro também afirmou que seu filho nunca recebeu nada do Banco Master.

A crise de liquidez ocorre quando uma instituição enfrenta dificuldade para honrar pagamentos e obrigações no prazo. O aumento do compulsório citado nas mensagens indica a pressão financeira que Vorcaro dizia enfrentar naquele momento, mas a reportagem também relata que ele acreditava ter encontrado uma solução por meio da venda de uma carteira.

Para entender

Depósito compulsório
É a parcela dos recursos que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central. O mecanismo ajuda a regular a quantidade de dinheiro disponível no sistema financeiro e a liquidez das instituições.
Crise de liquidez
Ocorre quando uma instituição tem dificuldade para cumprir pagamentos e outras obrigações no prazo, mesmo que possua ativos. No setor bancário, dificuldades desse tipo podem afetar a capacidade de atender saques e honrar compromissos.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo, Zero Hora

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