Deputados pedem ao STF investigação de Nunes Marques por elo com Vorcaro
Rui Falcão e Rogério Correia apontam suspeitas relacionadas ao Banco Master e pedem apuração de possíveis crimes, incluindo corrupção e lavagem de dinheiro.
Resumo em 30 segundos
Os deputados federais Rui Falcão e Rogério Correia encaminharam ao STF uma notícia de fato para investigar Kassio Nunes Marques por suspeitas ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. A representação cita pagamentos, contratações e decisões judiciais. O ministro nega irregularidades; pessoas mencionadas afirmam que suas relações com o banco ou Vorcaro eram profissionais ou privadas.
Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) encaminharam nesta segunda-feira (12) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para investigar o ministro Kassio Nunes Marques por possíveis crimes relacionados ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A notícia de fato foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Os parlamentares pedem que sejam apuradas suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio, prevaricação e participação em organização criminosa. A representação reúne episódios que vieram à tona após a extração de dados do celular de Vorcaro e solicita esclarecimentos sobre a relação entre o ministro e o empresário.
Entre os pontos mencionados estão supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil associados ao filho de Nunes Marques, a contratação de pessoas próximas ao ministro para atuar em processos judiciais e o pagamento de hospedagem de luxo. Os deputados também citam a atuação do magistrado em um caso relacionado ao banco.
A representação afirma que a apuração deve ocorrer sem demora porque Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por conduzir o segundo turno das eleições, e há candidatos e apoiadores mencionados nas investigações sobre o Banco Master. “A confiança pública na lisura do processo eleitoral e na imparcialidade do órgão que o conduz recomenda que os fatos sejam submetidos, sem demora, aos mecanismos regulares de apuração”, escreveram os deputados.
O pedido ocorre após decisões do ministro sobre o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones. Nunes Marques determinou a suspensão do canal a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem. Cueva é o relator do caso.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro também indicam que o Banco Master contratou o escritório da advogada Camilla Ramos para atuar em processos sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. O contrato previa honorários de até R$ 427 milhões em caso de vitória. Camilla é casada com Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Interlocutores de Vorcaro chamavam Camilla e o desembargador de “turma do KN”, expressão que pode fazer referência a Nunes Marques, que trabalhou no TRF-1 antes de chegar ao STF. Mensagens também registram pedidos de favores, diárias em hotéis de luxo, ingressos para shows e entradas para a Fórmula 1 feitos por Newton Ramos a Vorcaro e sua equipe. Há ainda conversas entre o ex-banqueiro e o desembargador sobre julgamentos.
Em outro diálogo, Vorcaro e Camilla comemoraram uma decisão favorável em processo julgado pela Segunda Turma do STF, com menção ao voto de Nunes Marques. O caso envolvia a destilaria Alcídia e um precatório contestado pela União. O ministro afirmou, em nota, que nunca votou a favor de Vorcaro ou do Master, não trocou mensagens com o ex-banqueiro nem pediu favores. Também negou irregularidades no voto e disse que nunca autorizou alguém a falar em seu nome.
Newton Ramos declarou que os pedidos a Vorcaro se referiam a uma situação privada e que nunca julgou processo em que o Master fosse parte. Camilla Ramos afirmou que sua relação com o banco era exclusivamente profissional.