Justiça francesa transfere suspeito de ataque racista para avaliação
Kévin T. ficará em observação psiquiátrica por até 48 horas; a decisão levou centenas de pessoas a marchar em homenagem à vítima e contra o racismo.
Resumo em 30 segundos
A Justiça francesa revogou a prisão preventiva de Kévin T., suspeito de matar uma pessoa e ferir outras cinco em um ataque a tiros. Ele foi levado a uma unidade psiquiátrica para avaliação por até 48 horas. Em Aubervilliers, centenas de pessoas marcharam em homenagem à vítima e contra o racismo.
A Justiça francesa revogou neste domingo (25) a prisão preventiva de Kévin T., suspeito de matar uma pessoa e ferir outras cinco em um ataque racista a tiros na região de Paris. Ele foi transferido para uma unidade psiquiátrica da polícia, onde passará por observação por até 48 horas para avaliar se pode continuar sendo interrogado. A decisão provocou protestos e homenagens às vítimas em Aubervilliers, no subúrbio da capital.
O ataque ocorreu na manhã de sexta-feira (23), quando o suspeito disparou com uma pistola-metralhadora contra pessoas em um posto de gasolina, um centro médico e um parque infantil nas localidades de Trappes e La Verrière, a sudoeste de Paris. Uma das vítimas fatais foi Pengo Bossio Wangi, francês de origem congolesa, de 26 anos. Uma menina de 12 anos, entre os cinco feridos, permanecia em estado crítico após ser atingida por oito tiros.
O presidente Emmanuel Macron classificou o caso como um “atentado terrorista racista” e afirmou que o atirador teria escolhido poupar algumas pessoas com base na cor da pele e na aparência. A Procuradoria Nacional Antiterrorismo informou que a avaliação psiquiátrica deve ajudar a determinar se o suspeito tem condições de saúde mental para ser interrogado.
Segundo fontes próximas à investigação, Kévin T., de 39 anos, tinha diagnóstico de esquizofrenia e fazia tratamento. Exames toxicológicos apontaram maconha e cocaína em seu sangue. A polícia também prendeu preventivamente quatro pessoas próximas a ele, entre elas seus pais.
Na residência do suspeito, investigadores encontraram um exemplar de “Mein Kampf”, livro de Adolf Hitler, além de uma Bíblia e um Alcorão. Também localizaram uma estrutura montada com três botijões de gás, chaves elétricas e um temporizador, que, segundo as informações da investigação, seria destinada a explodir o apartamento do próprio suspeito.
A transferência para observação foi criticada por Yassine Bouzrou, advogado da família de Bossio Wangi. Ele afirmou que a avaliação psiquiátrica precisa ser aplicada com os mesmos critérios e prazos, independentemente da ideologia atribuída ao acusado. “Embora a perícia e a irresponsabilidade penal sejam princípios fundamentais, a simetria deve ser a regra: mesmas perícias, mesmos prazos de avaliação, seja qual for o perfil ideológico do acusado.”
Em Aubervilliers, centenas de pessoas marcharam em silêncio, levaram imagens de Bossio Wangi e exibiram cartazes contra o racismo e o avanço da extrema direita. Autoridades municipais participaram do ato, entre elas o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko. Ao fim da caminhada, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em memória da vítima.