Protestos na França bloqueiam o Louvre em meio à alta do custo de vida
A mobilização, motivada também pelo custo de vida na França, ocorre após um fim de semana de distúrbios que deixou mais de 2.330 pessoas detidas e quase mil agentes feridos.
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Estudantes bloquearam a entrada do Museu do Louvre nesta segunda-feira, durante uma onda de protestos contra o custo de vida na França. Os atos, iniciados por reivindicações sobre as condições nas escolas, se ampliaram com a inflação. No fim de semana, confrontos, saques e incêndios levaram a mais de 2.330 detenções.
Manifestantes bloquearam nesta segunda-feira, 19, a entrada do Museu do Louvre, em Paris, durante uma onda de protestos contra a alta do custo de vida na França. A mobilização ocorre após um fim de semana de confrontos, saques e incêndios em cidades do país, com milhares de pessoas detidas e centenas de agentes de segurança feridos.
O protesto no museu foi liderado por estudantes da École du Louvre, segundo a administração da instituição e sindicatos. Um panfleto afixado no local dizia: “Temos orgulho de anunciar que estamos bloqueando o maior museu do mundo”.
A alta dos preços está entre os motivos das manifestações. Desde março, o diesel ficou quase 40% mais caro e a gasolina subiu 25%. Os alimentos, por sua vez, acumulam aumento de 25% desde 2021.
Cerca de meio milhão de pessoas participaram de atos em toda a França, no ápice de quatro semanas de manifestações. Os primeiros protestos foram organizados por estudantes do ensino médio, que pediam melhores condições nas escolas. A pauta se ampliou com a insatisfação diante da inflação e do custo de vida.
Embora muitos atos tenham sido pacíficos, grupos mascarados atacaram agentes de segurança, invadiram e incendiaram prédios públicos, saquearam lojas e atearam fogo a carros, bicicletas e patinetes. Mais de 2.330 pessoas foram detidas durante o fim de semana em todo o país, informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin. Cerca de 350 prisões ocorreram em Paris entre domingo e a madrugada desta segunda-feira, segundo o prefeito da capital, Emmanuel Grégoire.
Quase mil policiais e gendarmes ficaram feridos nos confrontos. Também houve manifestantes feridos; uma pessoa teve a mão amputada após a explosão de uma granada de efeito moral usada pela polícia. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que as forças policiais “perderam o controle” em algumas cidades e ofereceu renúncia, mas o presidente Emmanuel Macron não aceitou.
Macron reconheceu falhas na antecipação e na inteligência da resposta aos distúrbios e determinou a revisão das medidas de segurança. Em pronunciamento à nação no domingo, condenou a violência e disse que autoridades locais poderão proibir manifestações nos próximos dias, se necessário. O presidente não anunciou estado de emergência nem toque de recolher.
A mobilização policial no sábado reuniu cerca de 60 mil agentes em todo o país. Nuñez afirmou que houve falta de previsão na distribuição do efetivo e que o número mobilizado ficou abaixo do necessário para lidar com os tumultos e saques. O governo também pediu ao ministro que apresente mudanças na atuação das forças de segurança.
Mais de 2.000 estabelecimentos comerciais foram afetados pela violência, com prejuízos estimados em “centenas de milhões de euros”, segundo Alain Di Crescenzo, presidente da câmara de comércio. Em Paris, cerca de 30 lojas foram saqueadas, de acordo com o prefeito.
Em Marselha, as autoridades municipais proibiram aglomerações em espaços públicos entre o meio-dia e as 20h desta segunda-feira. Protestos ligados ao custo de vida também tiveram episódios de confronto em Milão. Na Espanha e em Portugal, manifestações recentes têm se concentrado no aumento dos custos de moradia.