Jonathan Kreiss-Tomkins tenta virar governo do Alasca para democratas
A eleição ocorre nesta terça-feira, enquanto projeções apontam vantagem democrata em 22 das 36 disputas estaduais e ao menos cinco possíveis viradas.
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Jonathan Kreiss-Tomkins disputa o governo do Alasca contra o domínio republicano no estado. Projeções para as eleições estaduais dos Estados Unidos indicam vantagem democrata em 22 das 36 corridas e apontam ao menos cinco possíveis mudanças de partido. O resultado pode influenciar políticas locais e a organização de futuras eleições.
Jonathan Kreiss-Tomkins, candidato democrata ao governo do Alasca, tenta encerrar o domínio republicano no estado nas eleições desta terça-feira. Projeções citadas para as disputas estaduais nos Estados Unidos apontam que os democratas podem conquistar 22 dos 36 governos em jogo e voltar a controlar a maioria dos estados pela primeira vez em 16 anos; o Alasca está entre as possíveis viradas.
Kreiss-Tomkins disputa o cargo com o objetivo de suceder o republicano Mike Dunleavy, que governa o estado há oito anos. O candidato defendeu sua candidatura como alternativa para eleitores insatisfeitos com a gestão atual. “Se você não é fã dos últimos oito anos sob o governo de (Mike) Dunleavy, quero apresentar argumentos bem sólidos de que sou o candidato que você deveria considerar apoiar para governador”, afirmou no final do mês passado.
O Alasca é tradicionalmente um reduto republicano. O último governador democrata deixou o cargo há 24 anos, segundo o levantamento apresentado nas projeções eleitorais. Uma vitória de Kreiss-Tomkins seria, portanto, uma das mudanças de partido que podem alterar o mapa dos governos estaduais neste ciclo.
As disputas para governador ocorrem paralelamente às eleições legislativas de meio de mandato, realizadas no meio do ciclo presidencial. Em 2026, 36 dos 50 governos estaduais estão em disputa. As estimativas do Decision Desk e do Sabato’s Crystal Ball, ligado à Universidade da Virgínia, indicam vantagem democrata em 22 corridas e ao menos cinco possíveis viradas.
Os republicanos, por sua vez, têm poucas oportunidades claras de conquistar governos hoje controlados pelos democratas. O Kansas é apontado como a principal chance de avanço do partido. No Texas, onde Greg Abbott ocupa o governo desde 2015, as projeções ainda favorecem o republicano, mas a democrata Gina Hinojosa, deputada estadual, tem mostrado desempenho competitivo nas pesquisas recentes.
A eleição de governadores tem consequências que vão além da administração local. Nos Estados Unidos, os estados têm autonomia ampla e cada governador pode influenciar o orçamento, indicar integrantes de agências, vetar leis aprovadas pelo Legislativo estadual e conduzir a aplicação de normas locais. O Legislativo de cada estado é formado por uma assembleia e um senado.
Essa autonomia ganhou peso em temas como aborto e participação de atletas transgênero em competições. Depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, em 2022, o direito constitucional ao aborto, cada estado passou a decidir se permite o procedimento, impõe restrições ou o proíbe. A Corte também decidiu, em junho, que autoridades estaduais podem impedir atletas transgênero de competir em determinadas categorias; a questão será submetida a consultas populares em cinco estados nesta terça-feira.
Governadores podem agir mesmo quando divergem do Legislativo. Entre suas ferramentas estão o veto a projetos e a emissão de decretos, que podem estabelecer medidas dentro das atribuições do Executivo estadual. Esse poder é relevante em áreas em que as leis variam de um estado para outro, como saúde reprodutiva.
O controle dos governos também pode influenciar a organização das eleições. Nos Estados Unidos, os estados definem aspectos como métodos de votação, funcionamento das seções e contagem dos votos. Em 2020, autoridades de Michigan e da Geórgia rejeitaram iniciativas legais de Donald Trump para contestar o resultado nesses estados.
Outra atribuição estadual com efeito nacional é a definição dos distritos eleitorais para a Câmara dos Representantes. As mudanças nos mapas podem alterar as chances dos partidos nas eleições para o Congresso e terão impacto no pleito de 2028. Republicanos e democratas recorreram a essa estratégia, que também foi contestada nos tribunais.
Uma vitória democrata no Alasca teria ainda valor político para o partido, que busca renovar suas lideranças e ampliar presença em regiões tradicionalmente republicanas. Governar um estado também pode projetar figuras nacionais: 17 presidentes dos Estados Unidos foram governadores antes de chegar à Casa Branca. As eleições estaduais deste ano, portanto, podem influenciar tanto a administração local quanto a disputa por espaço político no ciclo que antecede a eleição presidencial de 2028.