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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Eleitores dos EUA votam em eleições legislativas sob pressão econômica

A disputa de 2026 pode mudar o controle da Câmara e do Senado, enquanto pesquisas apontam o custo de vida como uma das principais preocupações.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores americanos chegam a um local de votação em um dia de outono. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores americanos chegam a um local de votação em um dia de outono.
Resumo em 30 segundos

Os americanos votam nesta terça-feira para escolher os representantes no Congresso, atualmente controlado pelos republicanos. Pesquisas indicam chances de os democratas conquistarem a Câmara e o Senado. A economia e o custo de vida estão entre as principais preocupações, apesar do crescimento do PIB e do baixo desemprego.

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira para escolher representantes no Congresso, em eleições legislativas que podem tirar dos republicanos o controle das duas casas. Pesquisas e projeções apontam que os democratas têm boas chances de conquistar a maioria na Câmara e são favoritos também no Senado, em um pleito marcado pela insatisfação com o custo de vida e a situação econômica.

Os republicanos controlam atualmente o Congresso, enquanto os democratas fazem oposição ao presidente Donald Trump. Uma vitória democrata em uma ou nas duas casas alteraria o equilíbrio de poder em Washington e poderia dificultar a aprovação das propostas do governo. Pesquisas citadas nas análises eleitorais também apontam a possibilidade de avanços democratas em áreas tradicionalmente republicanas, como o Texas.

A economia aparece entre as principais preocupações dos eleitores. Em pesquisa Gallup divulgada na semana passada, 87% citaram a situação econômica geral como um dos temas importantes da eleição. Saúde e a situação no Irã foram mencionadas por 77%; combustíveis, por 72%; imigração, por 67%; e renda e distribuição da riqueza, por 66%.

A insatisfação aparece também nas avaliações pessoais. Pesquisa da NBC News divulgada no domingo mostrou que 51% dos eleitores estão descontentes com a própria situação financeira, ante 49% satisfeitos. Foi a primeira vez em quase 30 anos de levantamentos da emissora que os insatisfeitos superaram os satisfeitos. O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan está em um dos menores níveis de sua série histórica.

A aprovação de Trump na área econômica é baixa. Segundo pesquisa AP-Norc de outubro, 26% aprovam a forma como ele conduz a economia, e 17% aprovam sua atuação sobre o custo de vida. O levantamento também indicou que oito em cada dez americanos querem mudanças significativas na política econômica. Em pesquisas distintas, 33% aprovaram a atuação do presidente no Irã, segundo a Pew, e 34% sua política de tarifas comerciais, segundo a Harris.

Os dados econômicos divulgados na semana passada mostram um quadro misto. O Produto Interno Bruto (PIB), que mede o valor de bens e serviços produzidos no país, avançou 3,4% no terceiro trimestre em taxa anualizada, o ritmo mais forte em um ano. A expansão foi impulsionada por investimentos empresariais e gastos dos consumidores. O desemprego ficou em 4,2% em setembro, e os pedidos de seguro-desemprego estão no menor patamar em décadas.

Mesmo com esse crescimento, muitos americanos enfrentam preços mais altos e salários que não acompanham o custo de vida. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,7% em setembro, puxada por combustíveis e energia. Nos 12 meses mais recentes, o salário médio real — descontada a inflação — caiu 0,7%, de acordo com o Birô de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos.

Os aumentos pesam especialmente sobre famílias de renda baixa e média, que destinam parcela maior do orçamento a despesas essenciais. Desde o início de 2025, o custo médio dos planos de saúde oferecidos por empregadores subiu 11%, acima da inflação acumulada de 5,4% no período. Para os planos do Obamacare, voltados principalmente a pessoas sem cobertura empresarial, o custo aumentou 58% após o corte de subsídios federais.

A gasolina ficou mais de 50% mais cara desde o início deste ano, e o diesel, 77%. Comer fora encareceu 6,2%, enquanto a taxa média de financiamento imobiliário alcançou 7,24% na última semana de outubro. Juros mais altos tornam mais caro financiar a compra de uma casa. As tarifas comerciais adotadas pelo governo elevaram, segundo a Tax Foundation, os gastos médios das famílias em US$ 1.000 em 2025 e em US$ 820 neste ano.

A guerra no Irã também contribuiu para a alta dos custos de energia. Estimativa da Universidade Brown calcula que o conflito acrescentou cerca de US$ 1.120 às despesas de cada família americana com combustíveis. O estrategista republicano Doug Heye afirmou que os eleitores não votam com base no PIB e que a inflação continua sendo o dado mais importante para muitos deles.

A perda de poder de compra se soma à concentração de renda e riqueza acumulada ao longo de décadas. Dados do Escritório de Orçamento do Congresso mostram que a parcela da renda nacional recebida pelo 1% mais rico dobrou, de 7% em 1979 para 14% em 2022. No mesmo período, a fatia dos 60% intermediários caiu seis pontos percentuais. Segundo o Federal Reserve, o banco central americano, o 1% mais rico detinha 32,5% da riqueza do país em junho deste ano, ante 22,8% em 1989.

Trump foi reeleito com promessas de revitalizar a economia, conter a inflação e reduzir os preços dos combustíveis. O resultado das eleições legislativas indicará como os eleitores avaliam a condução do governo e definirá a composição do Congresso para os próximos dois anos, período em que a maioria parlamentar terá papel decisivo na aprovação de leis e no orçamento federal.

Fontes: Valor Econômico

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