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Domingo, 1 de novembro de 2026

Eleição de meio de mandato nos EUA mede força de Trump no Congresso

A votação será em 3 de novembro, com disputas por todas as cadeiras da Câmara e 35 no Senado; não haverá eleição presidencial em 2026.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitor deposita uma cédula em uma urna durante a votação nos Estados Unidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitor deposita uma cédula em uma urna durante a votação nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos

Os eleitores americanos escolhem nesta terça-feira representantes para o Congresso, governos estaduais e legislativos locais. Projeções indicam que os democratas podem conquistar a Câmara e têm chance de virar o Senado. O resultado pode limitar a agenda de Donald Trump e influenciar investigações, decisões sobre gastos e a disputa presidencial de 2028.

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na terça-feira para escolher integrantes do Congresso, governadores e representantes estaduais. As eleições de meio de mandato, realizadas dois anos após a presidencial, definirão a composição do Legislativo federal e poderão limitar ou ampliar a capacidade do presidente Donald Trump de conduzir sua agenda nos dois últimos anos de mandato.

A votação ocorre em 2026, no meio do mandato iniciado após a eleição presidencial de 2024. Não haverá disputa pela Presidência: as próximas eleições presidenciais americanas estão previstas para 2028. O pleito desta terça é chamado de eleição de meio de mandato porque acontece no intervalo entre duas eleições presidenciais.

Na Câmara dos Deputados, as 435 cadeiras serão disputadas. No Senado, haverá eleições para 35 dos 100 assentos. Também estão previstas eleições para governador em 36 estados e disputas para assembleias e senados estaduais em 46 estados, com mais de 6.100 vagas em jogo. Em 39 estados, os eleitores ainda votarão em 146 propostas, entre projetos de lei, emendas constitucionais, referendos e iniciativas populares.

A principal disputa será pelo controle do Congresso. Projeções de Decision Desk, Sabato Crystal Ball e Cook Political Report indicam que os democratas devem conquistar a maioria na Câmara a partir de 2027. O Senado também pode passar ao controle do partido, embora as projeções não apontem uma maioria suficiente para, por exemplo, aprovar a destituição do presidente em um processo de impeachment. O Real Clear Polling estima ainda que os democratas podem vencer em três a cinco estados hoje governados por republicanos.

As eleições de meio de mandato servem para renovar parte do Congresso e cargos estaduais, além de medir o apoio ao governo em exercício. O partido do presidente costuma perder espaço nesse tipo de votação: desde 1936, isso aconteceu em 20 das 22 eleições de meio de mandato, segundo o levantamento citado. Trump também perdeu a Câmara em 2018, durante seu primeiro mandato; a derrota foi seguida pela abertura de dois processos de impeachment, dos quais ele foi absolvido pelo Senado.

A economia é um dos temas centrais da campanha. Mais de 60% dos americanos desaprovam as políticas econômicas do governo e reclamam do custo de vida, de acordo com pesquisas recentes. Trump afirmou que os Estados Unidos estão mais ricos e que não há inflação, mas o custo de vida continua entre as preocupações dos eleitores. A guerra contra o Irã também é impopular: sua desaprovação média é de 63%, e o conflito contribuiu para a alta da inflação, segundo a matéria.

Outras questões presentes nas campanhas incluem a expansão de centros de dados de grandes empresas de tecnologia, a violência contra imigrantes e as ameaças às instituições. Candidatos democratas têm explorado essas insatisfações para criticar o governo. As tarifas comerciais também pesam no voto: um compilado do Cato Institute aponta que 75% dos eleitores as consideram importantes para decidir em quem votar, enquanto uma pesquisa do New York Times mostrou que 60% dos americanos aptos a votar rejeitam a condução do tema por Trump.

Se os democratas controlarem uma ou ambas as Casas, o presidente terá de negociar com a oposição para aprovar projetos. O Congresso pode usar seu poder sobre o orçamento para dificultar novos gastos com a guerra no Irã e com a defesa. O presidente sinalizou que pretende retomar bombardeios após a eleição, mas a falta de recursos poderia aumentar a pressão por uma negociação para encerrar o conflito. O apoio militar a Israel tende a ser uma questão mais difícil de alterar, por contar com respaldo dos dois partidos.

Uma maioria democrata também poderia abrir investigações sobre o governo e tentar reduzir os poderes presidenciais para iniciar operações militares. Parlamentares prometeram apurar temas como a relação de Trump com o financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 e acusado de comandar uma rede de tráfico humano. Indicações para cargos de alto escalão, incluindo chefias de agências e embaixadas, podem ser bloqueadas ou atrasadas se os democratas controlarem o Senado. O processo de impeachment do secretário de Defesa, Pete Hegseth, está em tramitação no Legislativo.

A possibilidade de um novo impeachment contra Trump é tema de divergência entre democratas. Integrantes mais cautelosos do partido apontam que faltariam votos no Senado para afastá-lo; a ala progressista defende que há razões para iniciar o processo. O cenário considerado mais provável é a abertura de investigações sobre ações do governo, incluindo a condução da guerra e os vínculos com empresas de tecnologia.

A votação também pode influenciar a disputa presidencial de 2028. No Partido Republicano, Trump continua a exercer forte influência sobre a escolha de candidatos. Entre os democratas, a ascensão de lideranças progressistas pode alterar a disputa interna. O resultado de terça-feira será acompanhado como um sinal da força política dos dois partidos, mas não define quem concorrerá à Presidência nem quem vencerá a eleição seguinte.

Trump disse que reconhecerá o resultado se considerar que o processo foi honesto e ofereceu uma recompensa de US$ 1 milhão por informações que levassem a uma condenação por fraude eleitoral. Em 2020, ele contestou a vitória de Joe Biden e, em janeiro de 2021, apoiadores do presidente invadiram o Capitólio durante a certificação do resultado. A possibilidade de novas contestações mantém a atenção sobre a aceitação do resultado e a estabilidade institucional após a votação.

Fontes: O Globo

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