João Velho denuncia comentário que exaltou atropelamento do irmão
O ator registrou ocorrência e apresentou notícia-crime após receber no Instagram uma mensagem que chamou de “herói” o condenado pela morte de Rafael Mascarenhas.
Resumo em 30 segundos
João Velho afirmou que procurou as autoridades após um comentário no Instagram celebrar o atropelamento que matou seu irmão, Rafael Mascarenhas. A mensagem, publicada em uma postagem sobre trabalho, relacionava o caso à próxima eleição e chamava Rafael Bussamra de “herói”. O ator disse que o comentário foi enquadrado como apologia de crime e ameaça.
O ator João Velho, filho da atriz Cissa Guimarães, afirmou que registrou ocorrência e apresentou uma notícia-crime após receber, no Instagram, um comentário que exaltava Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo atropelamento que matou seu irmão, Rafael Mascarenhas. A mensagem, publicada em uma postagem de Velho sobre trabalho, fazia referência à próxima eleição e dizia que Bussamra seria um “herói” por atropelar a esquerda. O caso foi enquadrado como apologia de crime e ameaça, segundo o ator.
Cissa Guimarães publicou nesta sexta-feira um vídeo em que João Velho fala sobre o comentário. Ele disse que o autor usou a morte de seu irmão para atacá-lo por causa de sua preferência política. “Ele lança mão de um golpe baixo para destilar a fúria dele política. Ele quer pegar na parte da minha ferida mais aberta. Pegar na parte que mais dói, que é a perda do meu irmão”, afirmou.
Na gravação, Velho também declarou que a mensagem foi enviada em uma publicação sem relação com política. O comentário dizia: “Na próxima eleição, teremos o Rafael Bussamra, para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro.” O ator acrescentou que decidiu procurar as autoridades porque considera que a morte de seu irmão foi usada para tentar fazê-lo sofrer.
Os advogados Ricardo Brajterman e Maíra Fernandes afirmaram, em publicação nas redes sociais, que liberdade de expressão não significa autorização para incentivar a violência. Segundo eles, divergências políticas ou esportivas não justificam ameaças, intimidação ou celebração de crimes. A defesa ressaltou que o debate democrático permite discordâncias, mas deve respeitar os direitos fundamentais e os limites previstos na Constituição e nas leis.
Rafael Mascarenhas morreu na madrugada de 20 de julho de 2010, aos 18 anos, depois de ser atropelado no Túnel Acústico, na Gávea, Zona Sul do Rio. Ele andava de skate com dois amigos em uma área fechada ao tráfego para manutenção noturna. Dois carros teriam entrado em alta velocidade no trecho interditado, e um deles, dirigido por Rafael Bussamra, atingiu o jovem.
Mascarenhas foi levado ainda com vida ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. O Túnel Acústico recebeu o nome da vítima três anos depois. O motorista foi inicialmente indiciado por homicídio doloso, classificação que considera a intenção de matar ou a possibilidade de o autor assumir esse risco. Ao longo do processo, porém, o crime foi reclassificado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Em 2015, Rafael Bussamra havia recebido uma sentença de sete anos de reclusão e cinco anos e nove meses de detenção. Após mudanças na tipificação do crime e recursos judiciais, foi condenado a três anos e seis meses de detenção. Ele e o pai, Roberto Bussamra, entregaram-se à Justiça em setembro de 2023 para cumprir as penas em regime semiaberto, depois de 13 anos de recursos.
Roberto Bussamra foi condenado por corrupção ativa, acusado de oferecer dinheiro a policiais militares para tentar liberar o carro e o filho após o atropelamento. A pena foi de três anos, dez meses e 20 dias de reclusão, além de 18 dias-multa. Em junho de 2024, ele foi autorizado a cumprir o restante da pena em liberdade, com tornozeleira eletrônica, depois de passar nove meses preso.
Para entender
- Rafael Mascarenhas
- Irmão de João Velho e filho de Cissa Guimarães, morreu aos 18 anos após ser atropelado em 2010 no Túnel Acústico, no Rio de Janeiro. O túnel recebeu seu nome três anos depois.