Polícia prende dois dos criminosos mais procurados do Rio Grande do Sul
Paula Rodrigues e Letier Lopes foram encontrados em um hotel de Santo Antônio da Patrulha após operação da Ficco; ele tentou fugir de carro.
Resumo em 30 segundos
Paula Caroline Ferreira Rodrigues e Letier Ademir Silva Lopes foram presos em Santo Antônio da Patrulha, após estarem foragidos desde 2024. Paula cumpre condenação pelo assassinato do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni. Letier é investigado por envolvimento em homicídios e tentativas, além de responder por assaltos a bancos e tráfico de drogas.
Paula Caroline Ferreira Rodrigues e Letier Ademir Silva Lopes, dois dos criminosos mais procurados do Rio Grande do Sul, foram presos na quinta-feira (22) em Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte do estado. Os dois estavam foragidos desde 2024 e foram localizados em um hotel por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que reúne policiais federais e estaduais.
Paula, de 31 anos, cumpre condenação de 26 anos e oito meses de prisão pelo assassinato do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni. O crime ocorreu em julho de 2015, em Canoas, na Região Metropolitana. Segundo a investigação, ela atraiu o fotógrafo para uma emboscada, onde ele foi torturado e atingido por 19 disparos.
A acusação sustentou que Paula mantinha relacionamento com Gargioni e também com Juliano Biron da Silva, apontado como chefe de uma facção criminosa. Biron teria pedido que ela atraísse o fotógrafo. Ele foi condenado em 2020 a 20 anos e oito meses de prisão pelo homicídio e está preso.
Paula foi absolvida no primeiro julgamento, em 2023, mas condenada em um novo júri, realizado em 2025, por homicídio triplamente qualificado. Ela foi julgada à revelia, pois já estava foragida. O caso foi registrado em Canoas, onde o corpo de Gargioni foi encontrado na região da Praia de Paquetá.
Letier, conhecido como Lig Lig, é investigado por envolvimento em 27 homicídios ou tentativas de homicídio. Ele também responde por assaltos a bancos e tráfico de drogas. De acordo com a polícia, era uma liderança de uma das maiores facções criminosas de Porto Alegre e teria se vinculado recentemente a um grupo do Vale do Sinos.
Ele fugiu em 2024, quando deixou o regime fechado para ir a um instituto penal, onde deveria trabalhar e passar a noite. Paula e Letier constavam na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional que reúne informações sobre pessoas procuradas para que autoridades de diferentes países possam localizá-las.
A força-tarefa começou a verificar uma informação repassada ao serviço reservado da Brigada Militar no Litoral. Depois que a imagem de Paula foi divulgada como procurada pela Interpol, novas ligações ajudaram os agentes a identificar um homem e uma mulher com características semelhantes às do casal em um hotel de Santo Antônio da Patrulha. Uma criança, filha de Paula, estava com eles. Policiais fotografaram Letier à distância e compararam as imagens com registros criminais.
Os agentes evitaram abordar os dois dentro do hotel para não colocar outras pessoas em risco. Letier foi seguido até um supermercado e tentou fugir de carro quando os policiais se aproximaram, no estacionamento. A perseguição seguiu pela RS-030 até a Brigada Militar montar um bloqueio e parar o veículo. Ele se entregou sem resistência; estava com uma pistola 9 mm, três carregadores e 90 munições. Paula foi presa no quarto do hotel, também sem resistência.
O delegado federal João Corrêa, responsável pela Ficco no estado, afirmou que o casal se preparava para deixar o hotel. Segundo ele, a prisão de Letier deve afetar a facção e atrasar a reorganização de rotas ilícitas.
Para entender
- Difusão Vermelha
- É um alerta da Interpol para informar às autoridades de diferentes países que uma pessoa é procurada. A publicação não equivale, por si só, a um mandado internacional de prisão; cada país aplica suas próprias leis para localizar e deter a pessoa.