Polícia Civil aponta ligação de quadrilha com o Comando Vermelho
Luiz Fernando Rodrigues dos Santos, morto em perseguição em Botafogo, era apontado como um dos chefes do grupo, investigado por ataque à arqueóloga.
Resumo em 30 segundos
O delegado Alexandre Netto afirmou que uma quadrilha de cerca de 11 pessoas investigada por roubos na Zona Sul tem ligação direta com o Comando Vermelho. O grupo também é investigado pela tentativa de latrocínio contra a arqueóloga Tania Andrade Lima. Um dos apontados como chefes morreu durante uma perseguição policial em Botafogo.
O delegado Alexandre Netto, titular da 14ª DP (Leblon), afirmou nesta quinta-feira que uma quadrilha investigada por roubos na Zona Sul do Rio tem ligação direta com o Comando Vermelho (CV). O grupo, formado por cerca de 11 pessoas, também é investigado pela tentativa de latrocínio contra a arqueóloga Tania Andrade Lima, de 81 anos, baleada durante um assalto no Leblon em 15 de outubro.
Segundo Netto, integrantes da facção dão suporte às ações do grupo, que escolhe a Zona Sul por causa do alto poder aquisitivo de moradores e frequentadores. O delegado descreveu uma estrutura organizada, com funções distribuídas entre os participantes, e disse que os crimes não seriam ações isoladas.
De acordo com a investigação, um dos integrantes identifica pessoas ou locais vulneráveis, enquanto outro, chamado de “batedor”, observa o trajeto e verifica a presença de operações policiais ou de outras forças de segurança. Os criminosos costumam agir com violência e ameaça e usar motocicletas para facilitar a fuga, afirmou o delegado.
Na manhã de quarta-feira, Luiz Fernando Rodrigues dos Santos morreu após uma perseguição da Polícia Civil em Botafogo. A corporação o apontava como um dos chefes da quadrilha e informou que ele tinha 27 passagens pela polícia, principalmente por crimes de roubo. O principal suspeito de atirar em Tania também faria parte do grupo, segundo a polícia.
A perseguição começou durante uma tentativa de interceptação de um carro que, conforme informações de inteligência da Polícia Civil, era usado para dar apoio logístico a outros integrantes. A polícia monitorava o veículo desde as 9h16, quando ele passou pela Avenida Presidente Vargas, no Centro. O acompanhamento terminou às 10h38, na Rua São Clemente, em Botafogo.
Nesse intervalo, o carro passou pelo Centro, Lapa, Catete, Glória, Flamengo e Botafogo. A Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas) registrou 19 alertas relativos às passagens do veículo. A Polícia Civil disse que o grupo estaria atuando naquela manhã no Centro e na Zona Sul.
Na versão preliminar da corporação, o motorista teria jogado o carro contra outra equipe policial e disparado uma arma. Os agentes reagiram, e Luiz Fernando foi baleado. Ele foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas chegou morto à unidade, segundo a direção do hospital.
Uma mulher que estava no veículo foi atingida por estilhaços e recebeu atendimento médico. Netto afirmou que ela não integra a organização criminosa. Durante a ocorrência, o carro dos suspeitos bateu em outro automóvel; o motorista atingido não se feriu e foi levado à delegacia para prestar depoimento. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Luiz Fernando.
O confronto ocorreu por volta das 10h30, em um trecho movimentado da Rua São Clemente, próximo a escolas e a pouco mais de 100 metros do Palácio da Cidade. Uma faixa da via foi interditada na altura da Rua Matriz, segundo o Centro de Operações e Resiliência da prefeitura. Uma testemunha relatou ter ouvido cerca de cinco disparos por volta das 10h40 e se abrigado atrás de uma árvore.
Tania foi baleada três vezes na tarde de 15 de outubro, na Rua General Venâncio Flores. Segundo a Polícia Civil, ela havia saído de uma agência bancária e foi seguida por criminosos. Ao tentar impedir que levassem sua bolsa, foi derrubada e arrastada; um dos assaltantes atirou, e outro fugiu com ele em uma motocicleta, levando os pertences.
A arqueóloga foi atendida pelo programa Segurança Presente e encaminhada ao Miguel Couto. Depois, passou por procedimentos na Casa de Saúde São José, no Humaitá, para retirar um projétil alojado no pescoço e reconstruir a mão. Ela já recebeu alta. Na segunda-feira, policiais fizeram uma operação no Morro da Coroa, no Catumbi, para tentar prender James Dean Chagas Lindoso, conhecido como Dean e apontado como suspeito de atirar em Tania, mas ele não foi encontrado. As investigações continuam para identificar os demais envolvidos e esclarecer a tentativa de latrocínio.