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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Itapeva suspende aulas após Cryptosporidium ser encontrado na água

A análise foi feita em amostras coletadas no centro da cidade; Itapeva soma cerca de 2.600 casos de gastroenterite em 20 dias, e a causa segue sob investigação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Técnico analisa uma amostra de água, com uma escola ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Técnico analisa uma amostra de água, com uma escola ao fundo.
Resumo em 30 segundos

As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta quinta-feira em Itapeva, após a detecção de Cryptosporidium em amostras de água. A cidade registra cerca de 2.600 casos de gastroenterite em 20 dias. Autoridades investigam a relação com o surto e orientam ferver a água antes de usos específicos.

Aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta quinta-feira (29) em Itapeva, no interior de São Paulo, após análise do Instituto Adolfo Lutz encontrar o parasita Cryptosporidium em amostras de água. O município registra cerca de 2.600 casos de gastroenterite nos últimos 20 dias, segundo a prefeitura.

A suspensão foi anunciada na noite de quarta-feira (28) pela prefeita Adriana Duch Machado (MDB). A medida, informou a administração municipal, busca proteger estudantes, professores e servidores. A prefeitura afirmou que se reuniu com autoridades estaduais para definir ações de segurança, ampliar o monitoramento e garantir a qualidade da água, mas não detalhou as providências.

As amostras positivas foram coletadas em 19 de outubro, em uma praça na região central da cidade, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Além do parasita detectado na água, exames clínicos de pacientes identificaram a bactéria Escherichia coli enteroagregativa, também associada a infecções intestinais. Os dois microrganismos podem causar diarreia, mas são agentes diferentes.

O Cryptosporidium é microscópico e infecta o intestino. Ele é eliminado nas fezes em forma de oocistos, estruturas resistentes que podem permanecer no ambiente por bastante tempo e tolerar as concentrações de cloro normalmente usadas no tratamento da água. Por essa resistência, a detecção do parasita não significa, por si só, que a água contaminada foi a causa de todos os casos registrados; a investigação municipal também deverá apurar a relação entre o abastecimento e o surto.

A bactéria E. coli enteroagregativa pode ser transmitida pelo consumo de água ou alimentos contaminados. A exposição a microrganismos de origem fecal também pode ocorrer quando a água é usada para preparar comida, lavar utensílios ou escovar os dentes. Os sintomas podem incluir diarreia persistente, dor abdominal e mal-estar.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que acompanha a situação e se reuniu nesta semana com a concessionária de água, órgãos estaduais de meio ambiente e infraestrutura e a agência reguladora dos serviços públicos. O objetivo foi adotar medidas para assegurar que a água fornecida atenda aos parâmetros de potabilidade. A pasta também declarou ter enviado mais de 40 mil frascos de hipoclorito de sódio a 2,5% para distribuição à população, como reforço às ações de prevenção.

A Câmara Municipal abriu, na segunda-feira (26), uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a qualidade da água. O grupo tem 90 dias para examinar se houve falhas no tratamento ou no abastecimento e avaliar se a água está relacionada ao surto. A conclusão da investigação ainda não foi divulgada.

A orientação da prefeitura é ferver a água por pelo menos cinco minutos antes de usá-la no preparo de alimentos ou na escovação dos dentes. Também recomenda lavar as mãos e os alimentos consumidos crus com água potável ou fervida. Como o Cryptosporidium pode resistir à cloração convencional, a fervura é uma precaução indicada para reduzir o risco de exposição.

Os sintomas costumam aparecer cerca de uma semana após o contato e, em pessoas saudáveis, tendem a desaparecer em até duas semanas, geralmente com hidratação. Crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade comprometida podem ter maior risco de desidratação e complicações. Quem apresentar diarreia deve repor líquidos; boca seca, pouca urina, sonolência, febre persistente ou sangue nas fezes são sinais para procurar atendimento médico. Medicamentos devem ser usados com orientação profissional.

Fontes: Folha de S.Paulo

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