Retatrutida supera Ozempic na perda de peso em estudo com diabetes
Após 80 semanas, a perda média chegou a 20,9% com a dose de 12 mg; a retatrutida ainda está em testes e não foi aprovada para uso.
Resumo em 30 segundos
Em estudo com 1.298 adultos com diabetes tipo 2, participantes tratados com retatrutida perderam, em média, 19,5% ou 20,9% do peso após 80 semanas, conforme a dose. No grupo que recebeu Ozempic, a redução foi de 9,4%. A retatrutida continua em testes clínicos e não está aprovada para uso.
A farmacêutica Eli Lilly anunciou nesta quarta-feira resultados de um estudo em que adultos com diabetes tipo 2 perderam, em média, até 20,9% do peso após 80 semanas de tratamento com retatrutida. No mesmo ensaio, participantes que receberam a dose mais alta aprovada do Ozempic para diabetes perderam cerca de 9,4%. A retatrutida ainda está em fase final de testes e não foi aprovada para uso em nenhum país, incluindo o Brasil.
O estudo TRANSCEND-T2D-2 acompanhou 1.298 adultos, distribuídos em três grupos. Um recebeu 2 mg de Ozempic por semana; os outros dois usaram retatrutida, nas doses semanais de 9 mg ou 12 mg. O medicamento da Eli Lilly está sendo avaliado para diabetes tipo 2 e também para obesidade.
A perda média de peso foi de 19,5% entre os participantes que receberam 9 mg de retatrutida e de 20,9% entre os que tomaram 12 mg. No grupo do Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida, a redução foi de 9,4%. Os dados são referentes a cerca de um ano e meio de acompanhamento.
O objetivo principal do ensaio era comparar o efeito dos medicamentos sobre a hemoglobina glicada, ou A1c, indicador que ajuda a avaliar os níveis de glicose no sangue. A medida caiu cerca de 1,8% com Ozempic e 2,2% nos dois grupos tratados com retatrutida.
A comparação não significa que a retatrutida já seja uma alternativa disponível ao Ozempic ou ao Mounjaro. O estudo foi feito com pessoas com diabetes tipo 2, e a retatrutida continua em testes clínicos de fase 3, etapa final antes de uma eventual solicitação de aprovação. Os resultados anunciados pela Lilly ainda serão apresentados em um congresso médico e publicados em uma revista científica com revisão por pares.
A retatrutida pertence à classe de medicamentos injetáveis que ganhou popularidade como “canetas emagrecedoras”. Assim como o Ozempic, é aplicada uma vez por semana, mas os resultados do ensaio não estabelecem qual medicamento é melhor para cada pessoa nem permitem comparação direta para o tratamento da obesidade sem diabetes.
Os efeitos adversos mais comuns relatados com a retatrutida foram diarreia, náusea, constipação, vômitos e indigestão. A empresa afirmou que ocorreram com frequência semelhante à observada com Ozempic e que, em sua maioria, foram leves a moderados e diminuíram durante o tratamento.
A interrupção do tratamento por eventos adversos ocorreu em 4,8% dos participantes que receberam 9 mg de retatrutida e em 7,9% dos que usaram 12 mg. No grupo do Ozempic, a taxa foi de 2,7%. Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente da área de saúde cardiometabólica da Lilly, afirmou que a comparação ajuda pacientes e médicos a avaliar possíveis novos tratamentos frente às opções disponíveis.