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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Atividade física se associa a maior volume cerebral em idosos

A revisão reuniu 19 estudos com 2.684 pessoas e encontrou associação também no hipocampo, mas não prova que o exercício cause maior volume cerebral.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa idosa caminha em ritmo acelerado por um parque arborizado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa idosa caminha em ritmo acelerado por um parque arborizado.
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Uma revisão sistemática de 19 estudos, com dados de 2.684 pessoas com 60 anos ou mais, encontrou associação entre maior atividade física e maior volume cerebral. A relação apareceu no volume total e em áreas como o hipocampo. Como os estudos são observacionais, não permitem concluir que o exercício cause essas diferenças.

Uma revisão sistemática de 19 estudos, com dados de 2.684 pessoas com 60 anos ou mais, encontrou associação entre maior atividade física e maior volume cerebral em idosos. A relação apareceu no volume total do cérebro e em regiões ligadas à memória e ao raciocínio, incluindo o hipocampo, estrutura importante para a formação de novas memórias. Os resultados foram publicados no Journal of Aging and Physical Activity.

O trabalho foi conduzido por Sara Oliveira Dias de Lucena, graduanda e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sob orientação de Lucas Melo Neves, professor do Departamento de Educação Física do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro. Os estudos reunidos tinham participantes com idade média de 70 anos e examinaram 76 estruturas ou regiões do cérebro.

Para avaliar a atividade física habitual, as pesquisas usaram questionários ou acelerômetros, dispositivos que registram o movimento. O volume cerebral foi medido por ressonância magnética. Na análise conjunta, idosos mais ativos apresentaram maior volume em diferentes áreas, além de maior volume cerebral total.

O hipocampo foi uma das regiões em que a associação se destacou. Em alguns dos estudos da revisão, idosos que alcançavam a recomendação mínima da Organização Mundial da Saúde (OMS), de cerca de 150 minutos de atividade física por semana, tinham um hipocampo entre 7% e 10% maior que o de participantes menos ativos. Segundo Neves, essa preservação está associada a melhor desempenho de memória e a uma maior reserva cognitiva — a capacidade de lidar com perdas relacionadas à idade.

A substância branca também apresentou associação positiva com a atividade física. Ela reúne conexões que permitem a comunicação entre diferentes áreas do cérebro. Alterações nessa rede são relacionadas à lentificação do pensamento e a dificuldades em funções executivas, como planejamento e tomada de decisões. A análise sugere que idosos mais ativos tendem a preservar melhor essa estrutura, mas não demonstra que o exercício, por si só, cause essa diferença.

O envelhecimento envolve mudanças graduais no cérebro, como redução de volume, perda de neurônios, diminuição das conexões entre células nervosas e alterações na substância branca. Esse processo pode afetar a memória, a atenção e a velocidade de raciocínio. O ritmo dessas mudanças varia entre as pessoas e pode ser influenciado por fatores como hábitos de vida, controle de doenças crônicas e estímulo cognitivo.

O hipocampo é particularmente sensível ao envelhecimento e pode sofrer atrofia, isto é, redução de volume, também em doenças como Alzheimer. Por isso, a associação observada entre atividade física e maior volume nessa região é considerada relevante para a pesquisa sobre saúde cerebral na velhice. Os dados, porém, não permitem concluir que pessoas ativas terão menor risco de demência ou que o exercício impeça a perda de memória.

Uma hipótese para explicar a relação é que o exercício regular estimule fatores neurotróficos, como o BDNF, envolvidos na sobrevivência e na plasticidade dos neurônios — a capacidade de modificar conexões. A atividade física também pode favorecer o fluxo de sangue no cérebro, a formação de vasos e a redução de processos inflamatórios crônicos. Esses mecanismos são explicações possíveis, não efeitos comprovados pela revisão.

Os estudos analisados são observacionais: acompanharam características dos participantes, mas não os distribuíram em programas de exercício para testar diretamente seus efeitos. Assim, não é possível estabelecer causa e consequência. Também pode ocorrer que pessoas com estruturas cerebrais mais preservadas tenham mais disposição para se manter ativas.

Para investigar essa questão, os autores trabalham em uma nova revisão, desta vez voltada a estudos de intervenção que acompanham idosos em programas regulares e estruturados de exercício. A intenção é verificar se esse tipo de pesquisa permite avaliar um efeito direto da atividade física sobre a preservação ou o aumento do volume cerebral.

Fontes: Estadão

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