Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz a exigências
Trump e autoridades iranianas relatam avanços nas negociações, mas Teerã diz que a reabertura em até dois dias depende de Washington aceitar seus termos.
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Donald Trump e autoridades iranianas sinalizaram avanços nas negociações para evitar a retomada dos combates. Teerã afirma que pode reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias, desde que os Estados Unidos aceitem suas exigências, que incluem cessar-fogo regional e suspensão de sanções e do bloqueio naval.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e autoridades iranianas sinalizaram nesta segunda-feira avanços nas negociações para evitar a retomada dos combates, enquanto Teerã se dispôs a reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias, caso Washington aceite suas exigências. A movimentação ocorre na véspera das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira.
Trump afirmou que um acordo com o Irã “poderia acontecer” e disse que Teerã quer um entendimento rapidamente. O vice-presidente JD Vance também declarou que os dois governos haviam avançado e que esperava novos progressos. As conversas são indiretas, conduzidas com a participação de mediadores.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as consultas estão intensas e destacou a atuação do Catar e do Paquistão. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, disse que a troca de mensagens com os Estados Unidos continua e que as próximas etapas dependem da aceitação das condições apresentadas por Teerã.
Entre as exigências iranianas estão um cessar-fogo em todas as frentes da região, o desbloqueio de ativos do país mantidos no exterior, o fim das sanções ao setor petrolífero e a suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos. Araghchi também pediu que Washington aceite uma nova rota acordada entre Irã e Omã para a passagem de embarcações pelo estreito.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma passagem estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás liquefeito transportados no mundo passavam pela rota, segundo a estimativa citada por autoridades iranianas. Uma reabertura poderia reduzir um dos principais focos de tensão entre Washington e Teerã, mas ainda depende de um acordo sobre as condições do Irã.
Em setembro, Teerã havia apresentado, por meio do Catar, um plano anterior para reabrir a passagem após receber uma resposta americana às suas exigências. Trump rejeitou aquela proposta, mas deixou aberta a possibilidade de manter as negociações indiretas. A oferta atual prevê um prazo menor, de dois dias, se os Estados Unidos aceitarem os termos iranianos.
Os sinais diplomáticos foram seguidos por relatos de explosões na ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz. A mídia estatal do Irã informou que houve cinco explosões em sequência. Uma publicação americana noticiou que os Estados Unidos teriam atacado a ilha, mas o Comando Central dos EUA não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
A possibilidade de um acordo tem peso político para Trump às vésperas das eleições legislativas, nas quais os republicanos buscam manter o controle do Congresso. O conflito e a alta dos preços dos combustíveis têm gerado descontentamento entre eleitores americanos. Na segunda-feira, os preços do petróleo caíram mais de 7% em meio ao otimismo sobre um possível fim da guerra, que já dura oito meses.
Trump afirmou no sábado que ainda precisava “lidar com uma ou duas” instalações nucleares iranianas. Teerã nega buscar armas atômicas e sustenta que tem direito de desenvolver energia nuclear para fins civis. As ameaças de Washington e Israel de retomar ataques mantêm a possibilidade de escalada, apesar da distensão militar observada desde setembro.