BTG estima alta de até 45% na Bolsa se Flávio vencer eleição
O banco projeta avanço de 11% a 20% com retorno à média histórica e aponta varejo, incorporadoras e empresas endividadas entre os setores favorecidos.
Resumo em 30 segundos
O BTG Pactual estima que a Bolsa brasileira pode avançar de 11% a 20% se Flávio Bolsonaro vencer Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Em um cenário mais otimista, com o Ibovespa acima da média histórica, a alta poderia chegar a 45%. O banco também prevê fortalecimento do real e destaca ações que poderiam se beneficiar.
O BTG Pactual estima que a Bolsa brasileira pode subir de 11% a 20% caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno da eleição presidencial. Em relatório divulgado após o primeiro turno, o banco avalia que uma vitória do senador abriria espaço para as ações retornarem à média dos últimos dez anos; em um cenário ainda mais favorável, a alta poderia chegar a 45%.
Flávio terminou a primeira etapa da disputa com 47% dos votos, ante 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo os números citados pelo banco. A votação contrariou a expectativa da maioria das pesquisas eleitorais. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Na avaliação dos analistas Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira, os votos dos demais candidatos devem favorecer principalmente Flávio. Eles consideram que a maioria dessas candidaturas é de direita ou centro-direita e que parte dos 9,3 milhões de votos recebidos por esses nomes — 7,8% do total — tende a migrar para o senador.
O banco aponta que Lula poderia se beneficiar de uma participação maior de eleitores que não votaram no primeiro turno. Foram 33 milhões de pessoas nessa situação, equivalentes a 20,9% do eleitorado. O relatório, porém, considera improvável uma mobilização suficiente, entre outros motivos porque as eleições já foram definidas em 20 dos 27 Estados.
O BTG afirma que as ações brasileiras, excluídas Petrobras e Vale, são negociadas a dez vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. O múltiplo preço/lucro compara o valor de mercado de uma empresa com o lucro que se espera que ela obtenha; segundo o banco, o nível atual está um desvio-padrão abaixo da média histórica. Um retorno à média sustentaria a projeção de avanço entre 11% e 20% em reais. Se o Ibovespa alcançasse um desvio-padrão acima dela, a estimativa passaria a 32% a 45%. O BTG também prevê fortalecimento do real, o que ampliaria os ganhos medidos em dólares.
Entre os setores que, na análise do banco, poderiam ter desempenho acima da média estão varejo, incorporadoras de médio e alto padrão, empresas ligadas ao mercado de capitais e companhias endividadas. O relatório cita Renner, C&A, Assaí, Cyrela, B3, XP, Localiza, Motiva, Rede D’Or, Equatorial, Energisa, Auren, Sabesp e Allos como preferências. Movida, Vamos, Cosan, Dexco e Bradesco aparecem entre as ações consideradas de maior sensibilidade às oscilações do mercado.
Para entender
- Preço/lucro
- O múltiplo preço/lucro compara o valor de mercado de uma empresa com o lucro que ela deve obter. Investidores usam a relação para avaliar quanto estão pagando pelos lucros projetados; ela pode variar conforme expectativas de crescimento, riscos e condições econômicas.
- Ibovespa
- O Ibovespa é o principal índice de ações da B3, a bolsa brasileira. Ele reúne ativos selecionados segundo critérios de negociabilidade e representa uma referência para acompanhar o desempenho médio de parte do mercado acionário do país.